Minha rotina não é fácil. Pelo menos não foi em 2013. Acordar às sete, pegar ônibus cheio até o trabalho, geralmente atrasado e sem tomar café da manhã direito por ter saído de casa correndo e só almoçar às 12:30hrs. Após o trabalho e muito blá blá blá na cabeça, vou direto à escola, onde fico até 23:00hrs e depois volto para casa, chegando à meia-noite. Geralmente, leva uma hora ou duas para tomar banho e jantar. Considerando uma hora, 1:30 da manhã eu estou na cama, pronto para acordar às sete novamente.
Porém, toda manhã esse ano, após acordar, eu me pegava pensando: Por que eu tenho que ir pro trabalho se eu quero ficar em casa e trabalhar nos meus livros? Uma enxurrada de respostas como: Você precisa pagar suas próprias coisas, ajudar em casa e comer eram as mais comuns.
Mas, a real é: Por quê?
Eu quero ser um cara bem sucedido, apesar de não me esforçar ao máximo como poderia fazer. Mas por que eu preciso aguentar as coisas do jeito que aguento? Não que meu desejo seja surrar alguém, acho que já me superei nisso.
Quero poder ficar em paz comigo mesmo pensando que estou fazendo algo que está me levando à um lugar que eu goste e não um onde todos acham que eu deveria estar. É bom ganhar dinheiro, não? Eu sei disso. Eu sei o que é ter dinheiro e o que é não ter. Todos sabemos. O lado ruim é que salários te sufocam aos poucos. Se tornam seu único checkpoint. Não quero salários me sufocando. Quero salários que não sejam mais gratificantes quanto minhas atividades.
Por que vocês vivem assim a vida inteira? Não aprenderam nada?
domingo, 22 de dezembro de 2013
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
A Triste Morte do meu Computador
Quando meu computador chegou ao final de sua vida ele já sabia que a NSA sabia sobre todos os seus segredos. Com aproximadamente 80gb ocupados de uma capacidade de 600gb ocupados só de músicas ilegalmente adquiridas, o modelo composto por um processador intel i3, 4gb de Ram e uma GTX 660Ti viu mais do mundo do que eu. Apesar da dor, essa não foi a minha primeira perda.
Eu devia ter aproximadamente 9 anos quando perdi meu antigo amigo que rodava Windows XP e me apresentou o mundo dos emuladores e da pornografia. Grande parte do meu conhecimento cultural primordial veio através do meu guerreiro XP que me mostrou muitos quem e o quê. Desde de Sasha Grey à H.G. Wells, a oportunidade de viajar dentre várias camadas de conhecimento me permitiu desdenhar o conhecimento mínimo que a escola proporcionava e também até a escolher sobre o que eu iria me aprofundar. Este computador que perdi aos 9 anos morreu aos poucos depois de várias trocas de peças e upgrades. Assim, com o tempo, ele se definhou numa máquina um tanto forte para sua geração, mas fraca para aquela época. Lá se foram minhas músicas, meus emuladores, minhas roms e a minha secreta pornografia.
Eu nunca fui uma pessoa de muita sorte, e tentei não contar muito com ela durante minha infância. Então, internet discada e coisas do gênero que poderiam te colocar em apuros eram diariamente bem planejadas. Uma hora de internet discada era resultaria em um dia sem internet discadas nas próximas 24 horas. O antivírus não deu conta quando meu querido computador morreu e desistiu juntamente. Como acontece em nosso sistema, meu computador foi substituído por outro superior algum tempo depois - este que também permaneceu bravamente por bons três anos até eu ganhar o dito cujo computador que protagoniza este post. Nele abri esse blog, escrevi páginas e mais páginas dos meus contos e livros, assisti muitos filmes e séries e, claro, pornografia. Ele cresceu comigo, me acompanhou desde a oitava série ao final do meu colegial.
Enfim, nessa última terça-feira, chegou ao fim a jornada do meu computador que nem ao menos se despediu. Encontrei o mesmo sem ligar mais e na mesma hora chequei todas as suas funções criticas e constatei que estavam todas queimadas. Porém, não fica o gosto de perda e sim a curiosidade de quem será o sucessor melhor, menor, mais forte, mais leve, maior, e com uma assistência técnica mais atenciosa.
Eu devia ter aproximadamente 9 anos quando perdi meu antigo amigo que rodava Windows XP e me apresentou o mundo dos emuladores e da pornografia. Grande parte do meu conhecimento cultural primordial veio através do meu guerreiro XP que me mostrou muitos quem e o quê. Desde de Sasha Grey à H.G. Wells, a oportunidade de viajar dentre várias camadas de conhecimento me permitiu desdenhar o conhecimento mínimo que a escola proporcionava e também até a escolher sobre o que eu iria me aprofundar. Este computador que perdi aos 9 anos morreu aos poucos depois de várias trocas de peças e upgrades. Assim, com o tempo, ele se definhou numa máquina um tanto forte para sua geração, mas fraca para aquela época. Lá se foram minhas músicas, meus emuladores, minhas roms e a minha secreta pornografia.
Eu nunca fui uma pessoa de muita sorte, e tentei não contar muito com ela durante minha infância. Então, internet discada e coisas do gênero que poderiam te colocar em apuros eram diariamente bem planejadas. Uma hora de internet discada era resultaria em um dia sem internet discadas nas próximas 24 horas. O antivírus não deu conta quando meu querido computador morreu e desistiu juntamente. Como acontece em nosso sistema, meu computador foi substituído por outro superior algum tempo depois - este que também permaneceu bravamente por bons três anos até eu ganhar o dito cujo computador que protagoniza este post. Nele abri esse blog, escrevi páginas e mais páginas dos meus contos e livros, assisti muitos filmes e séries e, claro, pornografia. Ele cresceu comigo, me acompanhou desde a oitava série ao final do meu colegial.
Enfim, nessa última terça-feira, chegou ao fim a jornada do meu computador que nem ao menos se despediu. Encontrei o mesmo sem ligar mais e na mesma hora chequei todas as suas funções criticas e constatei que estavam todas queimadas. Porém, não fica o gosto de perda e sim a curiosidade de quem será o sucessor melhor, menor, mais forte, mais leve, maior, e com uma assistência técnica mais atenciosa.
sábado, 24 de agosto de 2013
Oitenta e Nove
Renoir tinha problemas, mas não como os seus. Renoir era francês, mas morava na Alemanha, esse, porém, não era o seu principal problema, era apenas o problema número quinze. O garoto já tinha feito uma lista citando todos os seus problemas e quando achou que havia terminado, ele contou oitenta e nove problemas. O primeiro da lista era um problema que Renoir enfrentava desde que se entendeu por gente. Ele não crescia. Após onze anos da sua vida de oitenta e nove problemas, Renoir resolveu perguntar à seu avô doente por causa do cigarro (Renoir não gostava de cigarros, e esse era seu problema número sete) o porquê de ele não crescer. O avô disse que o menino iria crescer, mas Renoir não acreditou, pois tinha o mesmo tamanho desde a sua memória mais antiga. O avô disse a Renoir que pedisse a mãe para que o levasse ao médico se ele estava se sentindo mal. Esse era o trigésimo problema de Renoir, ir ao médico. Ele não gostava de ir ao médico, mas era preciso, pois como saberia o porquê de não crescer se não fosse ao médico? A mãe custou a marcar uma consulta, mas Renoir pediu isso de aniversário e ela, enfim, o levou.
No dia, ele acordou antes do relógio, como sempre. Renoir não gostava de relógios e esse era seu problema número três. Os relógios assustavam Renoir, eles roubavam o tempo, acreditava o pequeno garoto francês. Outro ladrão de preciosidades intangíveis era a TV, Renoir não gostava de TV e esse era seu problema número quatro. A mãe o acompanhou até o médico e Renoir engoliu o pânico durante todo o caminho. O médico era gordo e tinha a barba por fazer. Renoir não gostava de homens barbudos, ele não gostava quando seu avô lhe dava um beijo no natal e a barba o pinicava irritantemente. Tudo irritava Renoir.
O médico mediu o pulso do garoto e também mediu sua altura. Após perguntas sobre alimentação, desempenho físico e horas decidas a entretenimentos feito TV, vídeo-games, livros e parques, Renoir foi liberado com o seguinte prognóstico: Falta de verduras e legumes na dieta diária Renoir não gostava de comidas verdes, e esse era o problema oitenta e nove. Conforme as crianças cresciam, Renoir se trancou em seu quarto e começou a pintar. Ele gostava de pintar, mas era alérgico a tinta, e esse era seu problema número dois. Vestia luvas toda vez que pintava e sempre se assegurava de pintar apenas quando a mãe saia. Renoir não tinha pai e esse era seu problema número cinco. Ele não desejava feliz dia dos pais e entre os aniversários obrigatórios de todo ano, Renoir havia substituído o do seu pai pelo de seu avô.
Após um longo tempo, Renoir não havia crescido. Porém, apesar de Renoir estar sempre pensando em seus problemas, ele não conhecia a tristeza. Esse era seu problema número cinquenta e oito. O avô de Renoir dizia que a tristeza era como o muro de Berlim, e toda vez que o garoto ouvia a palavra tristeza ele imaginava o muro. A tristeza é um muro, disse Renoir em sala, é como o muro de Berlim. O pequeno garoto não entendeu o porquê de ser advertido após sua declaração na aula de literatura. A professora o puxou até a diretoria, onde ele se encontrou até a chegada de sua mãe. Renoir odiava falar em público e esse era seu problema número cinquenta, ele não gostava da diretoria e esse era seu problema número cinquenta e um. A mãe não trocou uma palavra sequer com o pequeno garoto durante o caminho até casa, Renoir não gostava do silencio, e esse era seu problema número seis.
Mais um ano se passara e Renoir não havia crescido. Ele olhou pela janela de seu quarto e viu os garotos fumando. Renoir parou de pensar em seus problemas e resolveu começar a contar o que gostava. Após algum tempo, ele tinha sua lista com exatos oitenta e nove itens. Renoir não crescia e essa era sua paixão número um. Renoir gostava de comprar livros e deixa-los ao lado de seu travesseiro para dormir com o cheiro de livros novos e essa era sua paixão número três.
Seu avô faleceu quando Renoir tinha treze anos e o garoto percebeu que o velho homem havia deixado uma imensidão de problemas para sua mãe. A mãe chorava e chorava dizendo que estava triste e tudo que Renoir pensava quando ouvia a palavra tristeza era no muro. Porém, durante algum tempo, Renoir não fez nada, até o dia em que ele descobriu que poderia ir até o muro de Berlim, encarar a tristeza. Renoir gostava de andar de carro e essa era sua paixão número quatro. Quando chegou ao local, Renoir se viu numa fria. Havia confusão e pessoas quebrando o muro. Renoir então entendeu que todos tinham problemas e que as pessoas estavam destruindo a tristeza, a famosa tristeza. O garoto não pôde fazer muito com o pequeno martelo que encontrou ao chão, mas com todas as suas forças quebrou o que deveria. Um medo enorme invadiu Renoir que achou que sua mãe iria brigar por estar de roupas sujas e pelo sumiço. Quando chegou em casa, encontrou sua mãe chorando, mas um sorriso invadiu o rosto dela e dele quando sua mãe disse: O muro caiu.
Renoir não sabia que a tristeza era tão ruim e que após ele quebrar a tristeza com um martelo, sua mãe arranjaria um emprego e com o dinheiro lhe traria remédios amargos e legumes e verduras (não verdes, pois ele não gostava). Renoir então se sentiu orgulhoso e após anos e anos não cresceu tanto, mas cresceu o suficiente para contar aos filhos que teve com Melaine que quando ele tinha a idade dos garotos quebrou a tristeza com um martelo e assim as crianças deveriam fazer.
domingo, 14 de julho de 2013
Egoísmo
"Encontre alguém, e se dedique àquela pessoa" diz Mr. Red cuspindo a fumaça do cigarro.
"Tenho minha família" digo.
"Então, tem alguém" ele completa.
Mr. Red deixa o conforto de sua cadeira, se levanta e olha para mim seriamente.
"O que você faria?" ele pergunta.
"Perdão... Como assim, o que eu faria?"
"O que você faria por eles? O máximo."
Eu penso por tempo suficiente para Mr. Red perguntar mais.
"Você faria algo... socialmente errado? Você roubaria? Você mataria?" ele pergunta sem mudar sua expressão.
"Matar alguém?"
"Sim. Bang-bang! Direto na cabeça, miolos para todos os lados"
"Não sei"
"Você mataria seu melhor amigo?"
"Não! Claro que não" digo indignado.
"E se ele ameasse sua família?"
"Numa situação dessa é claro que haveria alguma... alguma... Alguma forma de resolver a hipotética situação sem termos que explodir ninguém"
"Danilo, meu amigo... Isso não é um filme. Ninguém é protagonista, ninguém tem diferentes graus de importância nessa história porque todos se acham importantes em seus inerentes universos. Se eu explodir sua cabeça agora, você parte dessa pra outra, mas isso não quer dizer que o resto das sete bilhões de pessoas irão também. Pelo contrário, Danilo, elas continuam e até mesmo as que são mais próximas à você"
"Eu não vou explodir a cabeça de ninguém"
Mr. Red me dá uma arma. Ele se vira e mexe numa gaveta perto da sua cômoda. De lá, ele tira uma pistola e aponta diretamente à mim.
"Eu vou atirar em você, quem é mais importante agora?" diz Mr. Red com a arma engatilhada e apontada para minha cabeça.
"Oh-oh-oh, cara, para que isso? Tira essa da minha cara, seu dedo pode esgorregar"
"Você tem três segundos" diz Mr. Red.
"Corta essa, Red"
Mr. Red atira no chão da sala.
"Um"
"Pare com isso"
"Dois"
"Seu desgraçado, estamos apenas conversando!"
"Três"
Eu grito e disparo apertando o gatilho três vezes à queima roupa em Mr. Red. Para minha surpresa, a arma estava sem munição.
"Seu filho da puta!" digo nervoso.
"O único que importa é você" diz Mr. Red tirando a pistola da minha mão.
Ainda estou assustado.
"Olhe para mim, Danilo"
Eu me recuso à primeiro momento, mas ele me obriga.
"O ser humano defende seus interesses inerentes e beneficiários. Mesmo quando ajudamos alguém, procuramos nos beneficiar. Porém, essa descrição, quando dada do jeito que a disse, nos faz pensar apenas no egoísmo em seu significado pejorativo. Mas, eu e você sabemos que se eu ajudar a velhinha da esquina a atravessar a rua, mesmo que não ganhe um real ao final da travessia e fique tranquilo quanto a isso, eu estarei sendo beneficiado. Talvez não por dinheiro, mas talvez pela minha auto-satisfação." diz Mr. Red apagando o cigarro.
"Auto-satisfação?"
"Sim, meu amigo, auto-satisfação. Isso é o que o ser humano mais procura, pois isso está em tudo que ele persegue. Sexo, trabalho, entretenimento, caridade, tudo que ele tenha interesse."
"E se eu não tiver interesse, mas tiver que fazer?"
"Esse é talvez o problema de termos tanto lixo no mundo. Fazemos, mas não nos importamos. Tanto faz. Mas isso é perfeitamente entendível quando você pensa que é impossível agradar à todos e criar um sistema onde todos fiquem bem e satisfeitos"
"Tudo isso por egoísmo?"
"Também. Mas a maioria é por sermos um montante de universos colidindo ao mesmo tempo - é assim que nossa raça funciona - e, por sermos assim, sempre acharemos que nosso ponto de vista é o melhor porque é dele que estamos sobrevivendo e, ou, procuramos sobreviver"
"Eu nunca acreditei em utopias mesmo"
Mr. Red joga seu cigarro no chão e pisa em cima. Ele caminha para a porta de saída, provavelmente está se encaminhando à sua casa.
"Eu não quero matar meu amigo, Red, não queria te matar agora."
"Você tem duas opções, meu amigo. A primeira é, torne essa pessoa alguém o suficiente para que você se dedique e que a troca seja mutua para ambos se considerarem indispensáveis. Ou, torne essa alguém que você quer fora da sua vida intima e corriqueira, não envolva ela nos seus assuntos"
"Então, devo matar mais de noventa por cento da humanidade?"
"Não. Você não precisa matá-los, trata-los mal, ignora-los. Mantenham eles a uma distancia em que consiga nota-los, fala-los, e ouvi-los, mas nunca deixe que eles o toquem, nem interfiram em você porque, uma vez que precise escolher entre você ou alguém com prioridade máxima na sua lista contra alguém dessa lista de pessoas que você considera neutros, você escolherá você. Sempre."
Mr. Red abre a porta e saí. Eu fico no meu sofá, boquiaberto pensando. Alguns segundos depois, ele volta.
"Esqueci meu kools" diz ele entrando novamente.
"Você me mataria?"
Ele não responde e saí. Após um passo depois da porta, com a mesma escondendo seu corpo e apenas a luz da rua definindo uma sombra de sua silhueta por debaixo da porta, ele diz:
"Você me nota aqui?"
"Sim"
"Você me deseja mal?"
"Não"
"Você consegue se comunicar comigo?"
"Sim"
"Você consegue me ouvir?"
"Sim"
"Então, meu amigo, levando em consideração que eu sou um ser humano, não me toque"
Após alguns passos, ouço a partida do carro de Mr. Red. Ele dirige para longe.
"Tenho minha família" digo.
"Então, tem alguém" ele completa.
Mr. Red deixa o conforto de sua cadeira, se levanta e olha para mim seriamente.
"O que você faria?" ele pergunta.
"Perdão... Como assim, o que eu faria?"
"O que você faria por eles? O máximo."
Eu penso por tempo suficiente para Mr. Red perguntar mais.
"Você faria algo... socialmente errado? Você roubaria? Você mataria?" ele pergunta sem mudar sua expressão.
"Matar alguém?"
"Sim. Bang-bang! Direto na cabeça, miolos para todos os lados"
"Não sei"
"Você mataria seu melhor amigo?"
"Não! Claro que não" digo indignado.
"E se ele ameasse sua família?"
"Numa situação dessa é claro que haveria alguma... alguma... Alguma forma de resolver a hipotética situação sem termos que explodir ninguém"
"Danilo, meu amigo... Isso não é um filme. Ninguém é protagonista, ninguém tem diferentes graus de importância nessa história porque todos se acham importantes em seus inerentes universos. Se eu explodir sua cabeça agora, você parte dessa pra outra, mas isso não quer dizer que o resto das sete bilhões de pessoas irão também. Pelo contrário, Danilo, elas continuam e até mesmo as que são mais próximas à você"
"Eu não vou explodir a cabeça de ninguém"
Mr. Red me dá uma arma. Ele se vira e mexe numa gaveta perto da sua cômoda. De lá, ele tira uma pistola e aponta diretamente à mim.
"Eu vou atirar em você, quem é mais importante agora?" diz Mr. Red com a arma engatilhada e apontada para minha cabeça.
"Oh-oh-oh, cara, para que isso? Tira essa da minha cara, seu dedo pode esgorregar"
"Você tem três segundos" diz Mr. Red.
"Corta essa, Red"
Mr. Red atira no chão da sala.
"Um"
"Pare com isso"
"Dois"
"Seu desgraçado, estamos apenas conversando!"
"Três"
Eu grito e disparo apertando o gatilho três vezes à queima roupa em Mr. Red. Para minha surpresa, a arma estava sem munição.
"Seu filho da puta!" digo nervoso.
"O único que importa é você" diz Mr. Red tirando a pistola da minha mão.
Ainda estou assustado.
"Olhe para mim, Danilo"
Eu me recuso à primeiro momento, mas ele me obriga.
"O ser humano defende seus interesses inerentes e beneficiários. Mesmo quando ajudamos alguém, procuramos nos beneficiar. Porém, essa descrição, quando dada do jeito que a disse, nos faz pensar apenas no egoísmo em seu significado pejorativo. Mas, eu e você sabemos que se eu ajudar a velhinha da esquina a atravessar a rua, mesmo que não ganhe um real ao final da travessia e fique tranquilo quanto a isso, eu estarei sendo beneficiado. Talvez não por dinheiro, mas talvez pela minha auto-satisfação." diz Mr. Red apagando o cigarro.
"Auto-satisfação?"
"Sim, meu amigo, auto-satisfação. Isso é o que o ser humano mais procura, pois isso está em tudo que ele persegue. Sexo, trabalho, entretenimento, caridade, tudo que ele tenha interesse."
"E se eu não tiver interesse, mas tiver que fazer?"
"Esse é talvez o problema de termos tanto lixo no mundo. Fazemos, mas não nos importamos. Tanto faz. Mas isso é perfeitamente entendível quando você pensa que é impossível agradar à todos e criar um sistema onde todos fiquem bem e satisfeitos"
"Tudo isso por egoísmo?"
"Também. Mas a maioria é por sermos um montante de universos colidindo ao mesmo tempo - é assim que nossa raça funciona - e, por sermos assim, sempre acharemos que nosso ponto de vista é o melhor porque é dele que estamos sobrevivendo e, ou, procuramos sobreviver"
"Eu nunca acreditei em utopias mesmo"
Mr. Red joga seu cigarro no chão e pisa em cima. Ele caminha para a porta de saída, provavelmente está se encaminhando à sua casa.
"Eu não quero matar meu amigo, Red, não queria te matar agora."
"Você tem duas opções, meu amigo. A primeira é, torne essa pessoa alguém o suficiente para que você se dedique e que a troca seja mutua para ambos se considerarem indispensáveis. Ou, torne essa alguém que você quer fora da sua vida intima e corriqueira, não envolva ela nos seus assuntos"
"Então, devo matar mais de noventa por cento da humanidade?"
"Não. Você não precisa matá-los, trata-los mal, ignora-los. Mantenham eles a uma distancia em que consiga nota-los, fala-los, e ouvi-los, mas nunca deixe que eles o toquem, nem interfiram em você porque, uma vez que precise escolher entre você ou alguém com prioridade máxima na sua lista contra alguém dessa lista de pessoas que você considera neutros, você escolherá você. Sempre."
Mr. Red abre a porta e saí. Eu fico no meu sofá, boquiaberto pensando. Alguns segundos depois, ele volta.
"Esqueci meu kools" diz ele entrando novamente.
"Você me mataria?"
Ele não responde e saí. Após um passo depois da porta, com a mesma escondendo seu corpo e apenas a luz da rua definindo uma sombra de sua silhueta por debaixo da porta, ele diz:
"Você me nota aqui?"
"Sim"
"Você me deseja mal?"
"Não"
"Você consegue se comunicar comigo?"
"Sim"
"Você consegue me ouvir?"
"Sim"
"Então, meu amigo, levando em consideração que eu sou um ser humano, não me toque"
Após alguns passos, ouço a partida do carro de Mr. Red. Ele dirige para longe.
domingo, 7 de julho de 2013
Doença
Estou doente e isso está me afetando demais. Fora a minha dicção, meus relacionamentos com outras pessoas estão sendo prejudicados. Não sei desde quando possuo esse tumor gigantesco dentro da minha cabeça que parece exprimir toda minha coerência num canto só atrapalhando tudo e acabando não dando prioridade a nada.
Me sinto mal e nauseado. Talvez isso seja um castigo. Desenvolvi algo contra meu próprio veneno, mas o mesmo está me fazendo mal. Ontem mesmo estive com uma pessoa especial. Ela é linda e já sacou que não sou dos mais ligados. Me senti um deficiente por não poder controlar minhas próprias ações, me senti estranho e meu corpo reagiu a estímulos inconscientes. Não presto atenção no que ela fala e vejo que isso a desaponta profundamente.
Por que logo eu tinha que ficar doente? E, se estou, qual a cura? As pessoas dizem para que eu deixe de ser um pouco cabeça dura e comece a aceitar mais as coisas como devem ser, mas eu não concordo com a maioria dessas coisas. Quero estudar, não namorar, quero ir ao cinema, não à festas, quero jogar vídeo-game, não nadar no clube.
Tenho uma pilha de coisas para fazer e milhões e milhões de desejos a realizar, mas nada disso sai do planejamento. Se estou sendo comandado pelo meu subconsciente, o mesmo anda procrastinando e isso está me atrapalhando. Com dezessete anos, me sinto o cara mais frustrado da face da terra e às vezes sinto vontade de esmurrar a parede feito o Robert De Niro em Touro Indomável, talvez ele também estivesse assim. Estou vazio, oco, e nada pode me mudar. Ao meu redor uma série de falsos estimuladores tentam me acordar desse longo pesadelo, mas, na minha cabeça, soam como os convites das prostitutas de Watchmen. Estou mal pra caralho, e se eu pudesse voltar, eu voltaria. Voltaria a ser criança, a criar estórias sem compromisso, voltaria à oitava série e faria tudo diferente. Talvez me dedicaria mais a escola e mais a religião, teria lido mais, mas de que adianta agora? Costumo dizer que devemos comer coisas que diminuam nossa expectativa de vida porque, essas sim, valem a pena. Pois então, desde sempre estive com uma lasanha enorme em baixo dos meus braços e sempre acreditei estar bem por ter ela, mas aos poucos vejo que apesar de ela parecer tentadora, ela está me deixando para baixo e acabando com minha expectativa de vida. Vale a pena? Bem que valia, me tornei o que me tornei por causa daquela lasanha, mas me dividi demais, não sei mais se sou norte, sul, leste ou oeste, tenho vários pontos de vistas diferentes e me enxergar por cada um deles me dá náusea me deixa triste, afeta minha dicção e escrita, acabo descobrindo que nem com uma lasanha de seis camadas posso ser feliz porque eu ainda não achei meu prato favorito, ou eu desisti, ou eu irei achar, ou eu sou incapaz de achar. Norte, sul, leste ou oeste? De onde estou olhando e qual a posição certa?
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Ranzinza
Estou ranzinza feito meu pai e chego a pensar que puxei isso dele. Talvez após anos e anos pensando que queria ser diferente, eu me tornei apenas mais um ranzinza chato e estressado.
Com mil duzentas e oitenta e três músicas na minha biblioteca no iTunes, eu posso dizer ineditamente que a música, ultimamente, foi mais presente na minha vida do que o cinema e a escrita; quanto a leitura, acredito que isso seja como beber água, você tem que ler todos os dias. Assim como eu havia dito antes, várias coisas estão acumuladas na minha cabeça e não estranhe por minha escrita estar parecendo tão rustica e informal, mas eu realmente estou escrevendo enquanto penso e a TV está ligada na CNN. Sinto que estou me tornando uma pessoa que eu queria ser, chamo mais atenção do que eu deveria e não tenho paciência com as pessoas. Sou um velho ranzinza de dezessete anos e ouço Cash, Springsteen e Dylan. Sim, sou chato, irritante, dou sono e sou insuportável, e estas não são minhas palavras.
Alguns dias atrás me peguei em frente ao mar que é minha TV de 51" e pensei: "Para onde eu estou indo?". A verdade é que não estou avançando a lugar nenhum, estudo coisas que não caem na escola, faço piadas que ninguém entende, e meus filmes, ah, meus filmes são coisa de fresco. Escrever? Escrever é atividade de desocupado e hipster idiota. Ouvir música antiga? Ah, isso é coisa de saudosista idiota e sem personalidade, afinal, nossa música atual tem tantas coisas a nos oferecer. Jogar vídeo-game a sair com os amigos? Isso vai te deixar violento. Ir ao cinema? Vai pro Ibira, vai namorar, vai transar e beber.
Sou velho, chato, não tenho um casaco de couro, escrevo, vou ao cinema periodicamente, não namoro, não transo, odeio bebida, ouço música antiga, estudo astro-física, física quântica, assisto a CNN, leio BBC, meu caderno favorito no jornal não é o politico e nem o econômico, sempre pulo para as tirinhas, tenho dois amigos e alguns colegas, não sei dirigir, não sei dançar, e depois de tudo isso, realizo que sou realmente ranzinza, chato e tudo isso, e que preciso me organizar. Preciso parar de pensar no futuro um pouco e me realizar aqui, preciso fazer alguma coisa que eu goste, preciso limpar minha bunda com dinheiro, preciso jogar boliche com o Jeff Bridges, ler outro livro, e comer, mas comer tanto bacon com fritas que vou ter que ir ao médico. E só após isso que outro pensamento me invade a cabeça, como a maioria de vocês adolescentes são imbecis, porque, afinal, se vocês acham que eu estou jogando minha vida fora porque eu não estou comendo a vizinha gostosa, eu também posso expor o que acho de suas vidas cheias glamour, dinheiro, peitos e esperma.
domingo, 9 de junho de 2013
English, motherfucker, do you speak it?
O inglês é presente na minha vida desde que eu era do tamanho de um pé de feijão. Entre músicas e filmes, o vocabulário aumentou gradativamente junto ao interesse pela gramatica inglesa.
Quando se aprende uma língua, se aprende uma cultura junto e assim como está acontecendo com o francês agora, aconteceu com o inglês.
Estou acostumado as pessoas me perguntarem onde aprendi inglês e estou cansado de responder que nunca fiz aula em nenhum lugar. Odeio responder essa pergunta porque as pessoas parecem me ver como um autodidata esbanjador de conhecimento.
Ao final da época da minha vida em que eu não consiga contar mais meus anos nos meus dedos, eu comecei a tomar consciência de que falar inglês era uma coisa e cuspir expressões americanas era outra. Leio muitas entrevistas em inglês, agora mais em francês do que em inglês, e posso até citar uma engraçada. Há alguns dias eu li uma entrevista do Askmen com Quentin Tarantino (clique aqui para ler na integra), geralmente eu leio entrevistas de diretores de cinema. Nessa, no caso, era a época de divulgação de Django Unchained, o mais recente filme do Tarantino.
É realmente uma pena que o inglês seja tão pouco interessante para a maioria dos brasileiros, e quando você aprende a língua você vê o quanto aprender um novo idioma abrange seus horizontes e te dá uma perspectiva tão inovadora de mundo. Até eu mesmo já dei "entrevista" em inglês. Aconteceu meio que sem querer, eu estava "brincando" no Chatroulette e conversei com um australiano, Terrence se não estou errado, em texto e posteriormente em vídeo. Foi uma experiencia interessante, o mais legal foi ele tentando descobrir como nós brasileiros tratávamos a cultura que utiliza o inglês.
Talvez você não utilize o inglês para ler quadrinhos, assistir filmes, ler blogs de games e filmes ou a Rolling Stones, mas mesmo assim é indispensável ter o Thank You! You're Welcome! na ponta da língua porque, além de expandir você como pessoa, cresce também sua experiencia de vida.
Assim, quando Samuel L. Jackson te perguntar "English, motherfucker, do you speak it?" você possa responder qualquer coisa, menos "What?".
Boiou? Músicas e referencias citadas:
Blondie - Heart of Glass
Blondie - One Way or Another
Samuel L. Jackson em Pulp Fiction - What scene
* Ei, espera aí! Se você lê meu blog fielmente sabe que o Sete Mares de Coca Cola fechará seu legado o ano que vem com uma série do Mr. Red e mais uma série de contos que envolvem meu universo fictício de uma forma totalmente policial e investigativa e que tratará de filosofia e argumentações. Além disso, fique ligado que terei um novo blog - sem nome ainda -, mas que em breve deve estar no ar e será o porto dos meus novos textos, estes agora mais jornalísticos e informativos e claro, será nele que cobrirei minha experiencia nos EUA em 2014, fora que contará com um trip diary em vídeo! Oh, that's awesome! Fique ligado e até lá!
Quando se aprende uma língua, se aprende uma cultura junto e assim como está acontecendo com o francês agora, aconteceu com o inglês.
Estou acostumado as pessoas me perguntarem onde aprendi inglês e estou cansado de responder que nunca fiz aula em nenhum lugar. Odeio responder essa pergunta porque as pessoas parecem me ver como um autodidata esbanjador de conhecimento.
Ao final da época da minha vida em que eu não consiga contar mais meus anos nos meus dedos, eu comecei a tomar consciência de que falar inglês era uma coisa e cuspir expressões americanas era outra. Leio muitas entrevistas em inglês, agora mais em francês do que em inglês, e posso até citar uma engraçada. Há alguns dias eu li uma entrevista do Askmen com Quentin Tarantino (clique aqui para ler na integra), geralmente eu leio entrevistas de diretores de cinema. Nessa, no caso, era a época de divulgação de Django Unchained, o mais recente filme do Tarantino.
Entrevistador: Was it inevitable that one day you would make a spaghetti Western?
Era inevitável que um dia você faria um spaghetti western?
Tarantino: Oh, yeah, I think, for sure. And I’ve always wanted to do a Western. I always knew that when I did it, it would probably have a little spaghetti sauce on it to some degree or another. It’s funny because Kill Bill: Volume 2 kind of had a spaghetti Western kind of vibe to it, and even Inglourious Basterds, in particular, especially the opening. I remember my script supervisor who has been my script supervisor on all my movies, when we were shooting on that first day of Inglourious Basterds, it was that scene and he goes,"‘Quentin, this is your first Western!" [laughs]
Oh, sim, eu acho, com certeza. Eu sempre quis fazer um western. Eu sempre soube que quando eu fizesse um, este provavelmente teria um pouco de molho de espaguete em cima num grau ou outro. É engraçado porque Kill Bill: Volume 2 era meio que um spaghetti western, tinha o jeito, e até mesmo Bastardos Inglórios, em particular, especialmente a abertura. Eu lembro do meu supervisor de roteiro que tinha supervisionado todos os meus filmes, quando nós filmamos no primeiro dia de Bastardos Inglórios, foi nesta cena que ele diz: "Quentin, este é o seu primeiro Western!" [risadas]
Entrevistador: And you’ve always had Morricone music there…
E você sempre pensou na música de Morricone lá...
Tarantino: Yeah...
Sim...
Entrevistador: Which made me think, now that you’ve made a spaghetti Western, do you want to have Morricone music there?
O que me fez pensar, agora que você fez um spaghetti western, você quer que tenha Morricone lá?
Tarantino: Oh, I intend to have Morricone music. Morricone, Luis Bacalov, Nico Fidenco…
Oh, eu pretendo que tenha música do Morricone. Morricone, Luis Bacalov, Nico Fidenco...
Entrevistador: And Johnny Cash?
E Johnny Cash?
Tarantino: Actually, that’s what the Sony people picked, that song, but I like that song. It might end up in the movie. But James Brown “Payback,” that’s mine.
Na verdade, isso foi o que o pessoal da Sony escolheu, aquela música, mas eu gosto dela. Talvez encerre o filme. Mas James Brown "Payback", aquilo é meu.
É realmente uma pena que o inglês seja tão pouco interessante para a maioria dos brasileiros, e quando você aprende a língua você vê o quanto aprender um novo idioma abrange seus horizontes e te dá uma perspectiva tão inovadora de mundo. Até eu mesmo já dei "entrevista" em inglês. Aconteceu meio que sem querer, eu estava "brincando" no Chatroulette e conversei com um australiano, Terrence se não estou errado, em texto e posteriormente em vídeo. Foi uma experiencia interessante, o mais legal foi ele tentando descobrir como nós brasileiros tratávamos a cultura que utiliza o inglês.
Terrence: Do you know Blondie?
Você conhece Blondie?
Eu: Of course I do!
Claro que sim!
Terrence: I just got Parallel Lines in Amazon.com.
Eu acabei de comprar Parallel Lines na Amazon.com.
Eu: What's your favorite track?
Qual sua trilha favorita?
Terrence: One Way or Another.
Eu: What a cliche! [laughs]
Que clichê. [risadas]
Terrence: And what is yours?
Qual a sua?
Eu: Heart of Glass, of course.
Heart of Glass, claro.
Terrence: And you say my choice is a cliche. [laughs]
E você diz que minha escolha que é um clichê. [risadas]
Eu: Heart of Glass is my favorite one because of my screenplay, Nanquim. I heard like a million times to write a scene.
Heart of Glass é minha favorita por causa do meu roteiro, Nanquim. Eu ouvi milhões de vezes para escrever uma cena.
Terrence: I didn't know that Blondie would reach Brazil.
Eu não sabia que a Blondie alcançaria o Brasil.
Talvez você não utilize o inglês para ler quadrinhos, assistir filmes, ler blogs de games e filmes ou a Rolling Stones, mas mesmo assim é indispensável ter o Thank You! You're Welcome! na ponta da língua porque, além de expandir você como pessoa, cresce também sua experiencia de vida.
Assim, quando Samuel L. Jackson te perguntar "English, motherfucker, do you speak it?" você possa responder qualquer coisa, menos "What?".
Boiou? Músicas e referencias citadas:
Blondie - Heart of Glass
Blondie - One Way or Another
Samuel L. Jackson em Pulp Fiction - What scene
* Ei, espera aí! Se você lê meu blog fielmente sabe que o Sete Mares de Coca Cola fechará seu legado o ano que vem com uma série do Mr. Red e mais uma série de contos que envolvem meu universo fictício de uma forma totalmente policial e investigativa e que tratará de filosofia e argumentações. Além disso, fique ligado que terei um novo blog - sem nome ainda -, mas que em breve deve estar no ar e será o porto dos meus novos textos, estes agora mais jornalísticos e informativos e claro, será nele que cobrirei minha experiencia nos EUA em 2014, fora que contará com um trip diary em vídeo! Oh, that's awesome! Fique ligado e até lá!
domingo, 19 de maio de 2013
Nota 001
Sabe, algumas pessoas acabam gostando de mim por algum motivo que às vezes sei e às vezes não sei explicar. Algumas pessoas me confundem com um colega ou amigo qualquer, mas eu não sei fazer esse papel; não quero ser seu amigo se você nem ao menos sabe quem eu sou e/ou porque anda comigo. Algumas vezes, mesmo depois de responderem essas duas perguntas, o relacionamento não dá certo. Algum filme diz... droga, não me lembro o titulo do filme... Ah, sim! Lembrei! Em Pulp Fiction, de Tarantino, na cena em que Mia e Vincent jantam, Mia diz: [...] é assim que sabe que encontrou alguém especial. Quando pode calar a boca um minuto e sentir-se à vontade em silêncio.
São poucas as pessoas com as quais eu consigo sentir-me à vontade. Isso, talvez, explique o porquê d'eu sempre ter algo em mente para falar quando estou rodeado de pessoas que não tenho muita intimidade ou pelas quais eu sentiria certo desconforto se ficássemos em silencio. Se eu te chamo de amigo é porque podemos calar a boca e nos sentirmos à vontade em silencio.
Às vezes, as pessoas me confundem com um esbanjador ou egocêntrico. Devo lhe dizer que acredito em duas coisas nessa vida; a primeira é que se Deus fez o mundo para o homem viver em harmonia, estamos todos prometidos ao inferno; e a segunda é que o homem tem dois hemisférios em seu caráter, o primeiro se entende por instinto e o segundo por egocentrismo. Sendo assim, não, eu não darei atenção a uma pessoa que me quer presente por completo porque eu não poderei dar a essa pessoa isso.
Não estou pedindo para que gostem de mim e nem para que me odeiem. Afinal, quem sou eu?
São poucas as pessoas com as quais eu consigo sentir-me à vontade. Isso, talvez, explique o porquê d'eu sempre ter algo em mente para falar quando estou rodeado de pessoas que não tenho muita intimidade ou pelas quais eu sentiria certo desconforto se ficássemos em silencio. Se eu te chamo de amigo é porque podemos calar a boca e nos sentirmos à vontade em silencio.
Às vezes, as pessoas me confundem com um esbanjador ou egocêntrico. Devo lhe dizer que acredito em duas coisas nessa vida; a primeira é que se Deus fez o mundo para o homem viver em harmonia, estamos todos prometidos ao inferno; e a segunda é que o homem tem dois hemisférios em seu caráter, o primeiro se entende por instinto e o segundo por egocentrismo. Sendo assim, não, eu não darei atenção a uma pessoa que me quer presente por completo porque eu não poderei dar a essa pessoa isso.
Não estou pedindo para que gostem de mim e nem para que me odeiem. Afinal, quem sou eu?
domingo, 12 de maio de 2013
The Red Lipstick Lover
Mr. Red estava prestes a entrar em casa quando avistou uma mulher o observando. Calmo, ele pôs a chave na fechadura e girou a mesma. Conforme moveu a porta, a vidraça da grande porta maciça refletiu a imagem da mulher do outro lado da rua.
Mr. Red jogou o cigarro no chão e pisou em cima do fumo. Empurrou a porta com uma das mãos e se dirigiu a mulher com um olhar convidativo. A mulher desencostou-se do poste d'outro lado da rua e seguiu até a porta de Mr. Red. Com um beijo na bochecha do homem, a mulher de lábios vermelho sangue entrou na casa e Mr. Red à seguiu. Em poucos minutos, ambos estavam nus e na bela cama de seis mil reais de Mr. Red. Após minutos do que Mr. Red chamou de "o melhor sexo do sudeste", a mulher se levantou, ainda nua, e caminhou até o banheiro. Ao primeiro momento, ela apenas retocou o batom vermelho, mas em poucos minutos começava a revestir seu espartilho preto. Sua pele branca, quase rosada, foi preenchida por um tecido macio e pequenas fivelas que qualquer homem poderia abrir. Pegou seu casaco do chão e o jogou por cima dos ombros. Mr. Red estava recostado à cabeceira da cama e reparou que seus cigarros haviam acabado. Pegue um dos meus, disse ela com uma voz maliciosa. Mr. Red aceitou. Os dois fumavam feito dois velhos italianos. A mulher do batom vermelho agora beijava as mãos de Red e ele cuspia algumas palavras:
"Sabe qual a melhor coisa sobre cigarros? Eles te fazem parecer mais bonito, interessante e te dão o teor suficiente de depressão para que você pareça um personagem de cinema pós-guerra"
A mulher abria a barguilha de Mr. Red e ele a parava com a mão. Ela diz:
"É por isso que fuma?"
"Não. Eu fumo porque este pequeno fumo é a prova de que seguro meu destino pelas mãos. Ele diminui meu tempo de vida a cada maço, e eu gosto de segurar isso com minhas próprias mãos. Sabe, quase morri quando eu era criança. Estava chovendo, e minha mãe ia fazer bolo para tomarmos no chá da tarde. Meu pai não disse que não era para descer até minha avó - onde minha mãe estava - e eu lógico não obedeci. Desci as escadas até minha avó e bati a cabeça nos últimos degraus. Sangrei feito um porco no abate, mas não morri. Os médicos disseram que alguns centímetros me salvaram. Desde então, gosto de segurar meu destino em minhas próprias mãos para não ter que passar coisas como essa novamente."
"Profundo"
Mr. Red soltou uma gargalhada enorme e segurou a amante com força. Ela se assustou quando ele à jogou na cama e retirou suas peças abruptamente novamente.
"Gosto de ter tudo bem aqui... em minhas mãos."
Mr. Red então começa a masturbar a jovem e a observar sua reação. Que mágico, ele pensava enquanto a jovem moça se contorcia de prazer. Logo Mr. Red estava de novo dentro dela.
Ao amanhecer, Mr. Red se jogou em sua poltrona imensa e desfrutou um licor 43. A mulher acorda e vê a imagem de Red em fente a janela. Ela calmamente abriu a bolsa e tirou de lá uma corrente. Se levantou, ainda nua, e foi até as costas de Red. Ele continuava a contemplar o nascer do sol e desfrutar o licor quando ela envolveu a corrente em seu pescoço e o enforcou com toda a força. Mr. Red lutou contra a corrente e os próprios pulmões quando caiu da poltrona. A garrafa e o copo de licor espatifaram no chão.
Mr. Red então se acalmou aos poucos e logo estava desacordado. Ou pelo menos, fingia estar. A mulher colocou novamente as roupas e começou a vasculhar o apartamento de Mr. Red. Encontrou algumas caixas de sapato com dinheiro e alguns relógios que valiam lá sua fortuna. Roubou também uma garrafa de vinho argentino de 1983. Quando estava prestes a deixar o apartamento, Mr. Red a surpreendeu com um tapa fortissimo e que fez todas as coisas que ela segurava cairem no chão. Mr. Red apontava um cano .38 para a moça e ela limpava, ao chão, o sangue que saia de sua boca.
"Quem é você?"
Mr. Red aproximou a arma à cabeça da jovem e engatilhou fazendo ela olhar em seus olhos endiabrados. A jovem cospe então no rosto de Red. Ele tira de seu bolso um lenço e limpa sua face com toda calma possível.
"Você quer me foder ou queria ser fodida?"
"Você é nojento!"
"Você tentou me matar!"
"Isso porque eu preciso do dinheiro e ninguém sentiria sua falta!"
Mr. Red encosta o cano da pistola entre os olhos da jovem e engole com dificuldade toda a situação.
"Você quer dinheiro?!"
Mr. Red desengatilha a pistola e guarda-a no bolso.
"Todos querem meu dinheiro. A porra do dinheiro!"
Ele segura a jovem pelo braço e a puxa escada à baixo até a porta que dá acesso a rua.
"Bom, seu Manoel" diz ele quando passa pela portaria com a jovem assassina.
Mr. Red à joga no meio da rua e ela chora. Junto à ele, apenas a pequena caixa de sapato cheia de dinheiro.
"Pega essa porra e que ela dê o mesmo problema a você igual deu à mim"
Ele joga a caixa para o alto e o dinheiro paira no ar. Quem na rua estava logo corre até o local para recolher o dinheiro. A jovem grita implorando para que deixem o seu dinheiro em paz porque a ela pertence.
Mr. Red sobe as escadas novamente e veste seu melhor terno para mais um dia de trabalho.
Este post não tem como intenção motivar a violência contra a mulher, sou totalmente contra isso. Essa é, em seu puro sentido, uma expressão literária que não tem qualquer conexão com a realidade, seja ela com a vida ou a mente do autor.
Mr. Red jogou o cigarro no chão e pisou em cima do fumo. Empurrou a porta com uma das mãos e se dirigiu a mulher com um olhar convidativo. A mulher desencostou-se do poste d'outro lado da rua e seguiu até a porta de Mr. Red. Com um beijo na bochecha do homem, a mulher de lábios vermelho sangue entrou na casa e Mr. Red à seguiu. Em poucos minutos, ambos estavam nus e na bela cama de seis mil reais de Mr. Red. Após minutos do que Mr. Red chamou de "o melhor sexo do sudeste", a mulher se levantou, ainda nua, e caminhou até o banheiro. Ao primeiro momento, ela apenas retocou o batom vermelho, mas em poucos minutos começava a revestir seu espartilho preto. Sua pele branca, quase rosada, foi preenchida por um tecido macio e pequenas fivelas que qualquer homem poderia abrir. Pegou seu casaco do chão e o jogou por cima dos ombros. Mr. Red estava recostado à cabeceira da cama e reparou que seus cigarros haviam acabado. Pegue um dos meus, disse ela com uma voz maliciosa. Mr. Red aceitou. Os dois fumavam feito dois velhos italianos. A mulher do batom vermelho agora beijava as mãos de Red e ele cuspia algumas palavras:
"Sabe qual a melhor coisa sobre cigarros? Eles te fazem parecer mais bonito, interessante e te dão o teor suficiente de depressão para que você pareça um personagem de cinema pós-guerra"
A mulher abria a barguilha de Mr. Red e ele a parava com a mão. Ela diz:
"É por isso que fuma?"
"Não. Eu fumo porque este pequeno fumo é a prova de que seguro meu destino pelas mãos. Ele diminui meu tempo de vida a cada maço, e eu gosto de segurar isso com minhas próprias mãos. Sabe, quase morri quando eu era criança. Estava chovendo, e minha mãe ia fazer bolo para tomarmos no chá da tarde. Meu pai não disse que não era para descer até minha avó - onde minha mãe estava - e eu lógico não obedeci. Desci as escadas até minha avó e bati a cabeça nos últimos degraus. Sangrei feito um porco no abate, mas não morri. Os médicos disseram que alguns centímetros me salvaram. Desde então, gosto de segurar meu destino em minhas próprias mãos para não ter que passar coisas como essa novamente."
"Profundo"
Mr. Red soltou uma gargalhada enorme e segurou a amante com força. Ela se assustou quando ele à jogou na cama e retirou suas peças abruptamente novamente.
"Gosto de ter tudo bem aqui... em minhas mãos."
Mr. Red então começa a masturbar a jovem e a observar sua reação. Que mágico, ele pensava enquanto a jovem moça se contorcia de prazer. Logo Mr. Red estava de novo dentro dela.
Ao amanhecer, Mr. Red se jogou em sua poltrona imensa e desfrutou um licor 43. A mulher acorda e vê a imagem de Red em fente a janela. Ela calmamente abriu a bolsa e tirou de lá uma corrente. Se levantou, ainda nua, e foi até as costas de Red. Ele continuava a contemplar o nascer do sol e desfrutar o licor quando ela envolveu a corrente em seu pescoço e o enforcou com toda a força. Mr. Red lutou contra a corrente e os próprios pulmões quando caiu da poltrona. A garrafa e o copo de licor espatifaram no chão.
Mr. Red então se acalmou aos poucos e logo estava desacordado. Ou pelo menos, fingia estar. A mulher colocou novamente as roupas e começou a vasculhar o apartamento de Mr. Red. Encontrou algumas caixas de sapato com dinheiro e alguns relógios que valiam lá sua fortuna. Roubou também uma garrafa de vinho argentino de 1983. Quando estava prestes a deixar o apartamento, Mr. Red a surpreendeu com um tapa fortissimo e que fez todas as coisas que ela segurava cairem no chão. Mr. Red apontava um cano .38 para a moça e ela limpava, ao chão, o sangue que saia de sua boca.
"Quem é você?"
Mr. Red aproximou a arma à cabeça da jovem e engatilhou fazendo ela olhar em seus olhos endiabrados. A jovem cospe então no rosto de Red. Ele tira de seu bolso um lenço e limpa sua face com toda calma possível.
"Você quer me foder ou queria ser fodida?"
"Você é nojento!"
"Você tentou me matar!"
"Isso porque eu preciso do dinheiro e ninguém sentiria sua falta!"
Mr. Red encosta o cano da pistola entre os olhos da jovem e engole com dificuldade toda a situação.
"Você quer dinheiro?!"
Mr. Red desengatilha a pistola e guarda-a no bolso.
"Todos querem meu dinheiro. A porra do dinheiro!"
Ele segura a jovem pelo braço e a puxa escada à baixo até a porta que dá acesso a rua.
"Bom, seu Manoel" diz ele quando passa pela portaria com a jovem assassina.
Mr. Red à joga no meio da rua e ela chora. Junto à ele, apenas a pequena caixa de sapato cheia de dinheiro.
"Pega essa porra e que ela dê o mesmo problema a você igual deu à mim"
Ele joga a caixa para o alto e o dinheiro paira no ar. Quem na rua estava logo corre até o local para recolher o dinheiro. A jovem grita implorando para que deixem o seu dinheiro em paz porque a ela pertence.
Mr. Red sobe as escadas novamente e veste seu melhor terno para mais um dia de trabalho.
Este post não tem como intenção motivar a violência contra a mulher, sou totalmente contra isso. Essa é, em seu puro sentido, uma expressão literária que não tem qualquer conexão com a realidade, seja ela com a vida ou a mente do autor.
sábado, 11 de maio de 2013
Vida de Escritor Amador
Estes fragmentos que escrevo aqui não são parte e nem parte de uma das partes do meu universo. Escrever sempre foi uma atividade que me acalmou e que colocou à prova aquela velha história de que escrever esvazia a mente.
Aprendi a ler com quatro anos de idade e logo meu lado criativo aflorou para escrever. Nunca fui de dormir nos livros e não li uma biblioteca de livros na minha vida. Tudo que escrevo hoje em dia - salvo os textos desse blog que às vezes têm algumas referencias de minhas estórias - eu escrevo a beça. Uma história que sempre conto é sobre minha versão de O Justiceiro. Escrevi O Justiceiro (sim, esse era o titulo) quando tinha onze ou doze anos. A história tinha o mesmo plote d'O Justiceiro original: Família morta, busca por vingança. Porém, o problema é que eu nunca havia ouvido falar sobre O Justiceiro e inventei um personagem que já existia. Assim como O Justiceiro, enredos como dormir e acordar com outra realidade ou viajar no tempo e consertar erros históricos foram ideias originais minhas, mas sempre acho algo no cinema ou na literatura que se aproxime o suficiente dos meus plotes para que eu possa ser acusado de copião ou plagiador.
Apesar de tudo, eu amadureci. Confesso que ainda tenho muitas ideias, duas ou mais por dia, mas aprendi a organizar. Meus livros, quando pequeno, eram cinco à quinze páginas de caderno sem a barba recortada e que eu guardava com o maior orgulho. Esse amadurecimento fica bem mais presente na minha mente quando penso sobre que caminho resolvi tomar. Sempre fui imaginei cenas ótimas, mas que, às vezes, não alcançavam o teor suficiente nas palavras para a transmissão de ação necessária. Tentei várias vezes escrever Guerra do Universo (talvez uma versão que se originou de desenhos animados e Star Wars, que assisti quando criança). Guerra do Universo não tinha um final lá muito feliz, os dois amigos guerrilheiros se separam no final quando um deles morrem para salvar o planeta Terra da ameaça alienígena. Sádico? Chato? Maldoso? Não era essa a minha intenção. Por que ele morreu? O que adiantou ele morrer? Qual o peso final? Essas eram as questões que eu subconscientemente me perguntava quando pequeno. O amigo havia morrido pela humanidade, antes ele do que bilhões de pessoas, essa era a moral. Fora a grande valorização do sofrimento e a lição final, eu sempre investi em mulheres lindas. Minha infância foi repleta de belas garotas que não davam a minima para um moleque chato e filhinho de papai como eu. Meu humor e minha habilidade em textos nunca chamaram muita atenção a não ser no final do ano. Sendo assim, todos os meus personagens tinham mulheres lindas e elas eram independentes, tinham personalidade ativa na história. Eu não queria uma infeliz qualquer do lado do protagonista enquanto o Armagedom acontecia. Eu tinha uma ideia de começar a literatura de ação, mas não saiu da cabeça.
Por fim, minhas cenas de ação e cenas sexo nos livros não alcançavam o que eu chamava de topo do termômetro. Não era suficiente escrever bem, usar um bom e requintado vocabulário, e nem ter uma ideia fantástica... Era preciso a ação acontecer. Foi quando olhei a minha volta, agora com treze anos, mas ainda pequeno, enxerguei uma porrada de DVD e pensei: Filmes. Apesar de terem sido parte da minha vida desde que cresci e em ter imaginado já algumas das minhas ideias como filmes, eu não tinha parado para pensar em roteiros. Pois bem, descobri quão mais dinâmico pode ser escrever um roteiro e finalmente atingi o teor necessário. Apesar de não ter escrito muitos, toda ideia que tenho para um roteiro, se aproxima mais da minha vida, e toda ideia que tenho agora que tende para mais para meu mundo fantástico, eu anoto e pretendo escrever como livro. Confesso que já parei vários roteiros e livros no meio da história ou na segunda linha, mas isso que me ensina a escrever. Apesar de ser uma comparação escrota, é sábia: Você não saberá o gosto daquele suco que você nunca provou se você nem ao menos tem coragem de provar. Ah, e claro, esse texto apesar de parecer ter sido escrito de forma evolutiva (desde meus problemas à minha solução), não, isto não é um compilado de dicas, e sim, minha experiencia. Quer escrever? Escreve, porra.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Preocupação
Eu não tenho ideia do que escrever, então, não me responsabilizo se você continuar lendo isso. Talvez não faça sentido nenhum ou talvez você se ofenda.
Veremos... Ah, ontem andei pensando sobre a vida. Como se eu não fizesse isso sempre. Foi bom. Descobri que não tenho muito com o que me preocupar. Na verdade, eu acho que não tenho o que acrescentar na minha lista de preocupação. Isso é bom.
Eu não queria dizer isso, mas o ano está passando rápido. Estamos já no mês cinco e apesar de eu não ter avançado em nenhum dos meus roteiros, continuo tendo ideias e mais ideais. A maioria - ou talvez todas - nunca serão postas no papel ou além disso. Mas, apesar dessa minha pessimista visão de futuro, estou feliz por continuar produtivo. As pessoas me veem muitas das vezes como um cara preguiçoso. Sim, eu sou, mas não é por isso as vezes falo coisas tão pessimistas. Na verdade, nem tão pessimista eu sou, se eu fosse, não estaria escrevendo mais nada.
Vocês devem saber que este maldito blog acaba o ano que vem. Não que ele represente grande bosta, mas se você está lendo isso, saiba que não irei me matar nem desistir de tudo que quero conquistar, isso seria babaquice e a última coisa que eu sou na minha lista de adjetivos é babaca.
Se você quer saber mais de mim, então aqui vai. As coisas estão bagunçadas na minha vida devido a essa maldita fase em que me pego pensando em tudo que está por vir. Metaforicamente falando, é como se eu estivesse num estúdio de tatuagens e estivesse prestes a fazer uma. O problema é que eu olho para minha tatuagem ainda desenhada no papel e penso "Puta que pariu, é permanente" e sinto uma enorme incerteza mesmo sabendo que aquela é a tatuagem que quero estampada na minha pele até o final dos meus minutos.
Se você pensou na minha lista de preocupações, deve saber que esta decisão entre fazer e levantar e sair do estúdio de tatuagem é topheaded na lista.
Eu não fico me martirizando com esses pensamentos, caso seja o que pensa. Na verdade, o que chamam de preguiça nasce aí. Eu simplesmente largo de lado e deixo de lado. E aí dizem: Então deixe lado, ora pois. Não posso deixar de lado algo que decidirá o meu caminho daqui para frente. Não sou um crente da beleza da vida, amores e filosofias otimistas, não que eu seja voltado apenas para o pessimismo, eu só acredito naquilo que combina com meu imenso roteiro. Eu vivi até hoje um pouco mais de seis mil dias, o que me daria um pouco mais de cento e quarenta e quatro mil horas e se você tem a mesma idade que eu, saiba que seu tempo de vida entre seu nascimento e agora, beira isso. Às vezes, olho para mim mesmo e me enxergo criança. Não sei de nada, não vi nada e não vivi nada. Isso de certa forma me conforta se penso superficialmente, mas tem horas que é como se Legolas me atingisse com uma flecha bem no meio da minha barriga e ela atravessasse meu corpo.
(risadas)
Não estou preocupado com nada agora, e nem deveria estar escrevendo também. Não tem ninguém em casa e só consigo ouvir meu ventilador. O silencio é a melhor retórica de todas.
Sabe o que é mais engraçado? Eu acrescentei algo a minha lista de preocupações. Devo eu me preocupar por não me preocupar?
Ah, eu vou assistir alguma coisa.
Veremos... Ah, ontem andei pensando sobre a vida. Como se eu não fizesse isso sempre. Foi bom. Descobri que não tenho muito com o que me preocupar. Na verdade, eu acho que não tenho o que acrescentar na minha lista de preocupação. Isso é bom.
Eu não queria dizer isso, mas o ano está passando rápido. Estamos já no mês cinco e apesar de eu não ter avançado em nenhum dos meus roteiros, continuo tendo ideias e mais ideais. A maioria - ou talvez todas - nunca serão postas no papel ou além disso. Mas, apesar dessa minha pessimista visão de futuro, estou feliz por continuar produtivo. As pessoas me veem muitas das vezes como um cara preguiçoso. Sim, eu sou, mas não é por isso as vezes falo coisas tão pessimistas. Na verdade, nem tão pessimista eu sou, se eu fosse, não estaria escrevendo mais nada.
Vocês devem saber que este maldito blog acaba o ano que vem. Não que ele represente grande bosta, mas se você está lendo isso, saiba que não irei me matar nem desistir de tudo que quero conquistar, isso seria babaquice e a última coisa que eu sou na minha lista de adjetivos é babaca.
Se você quer saber mais de mim, então aqui vai. As coisas estão bagunçadas na minha vida devido a essa maldita fase em que me pego pensando em tudo que está por vir. Metaforicamente falando, é como se eu estivesse num estúdio de tatuagens e estivesse prestes a fazer uma. O problema é que eu olho para minha tatuagem ainda desenhada no papel e penso "Puta que pariu, é permanente" e sinto uma enorme incerteza mesmo sabendo que aquela é a tatuagem que quero estampada na minha pele até o final dos meus minutos.
Se você pensou na minha lista de preocupações, deve saber que esta decisão entre fazer e levantar e sair do estúdio de tatuagem é topheaded na lista.
Eu não fico me martirizando com esses pensamentos, caso seja o que pensa. Na verdade, o que chamam de preguiça nasce aí. Eu simplesmente largo de lado e deixo de lado. E aí dizem: Então deixe lado, ora pois. Não posso deixar de lado algo que decidirá o meu caminho daqui para frente. Não sou um crente da beleza da vida, amores e filosofias otimistas, não que eu seja voltado apenas para o pessimismo, eu só acredito naquilo que combina com meu imenso roteiro. Eu vivi até hoje um pouco mais de seis mil dias, o que me daria um pouco mais de cento e quarenta e quatro mil horas e se você tem a mesma idade que eu, saiba que seu tempo de vida entre seu nascimento e agora, beira isso. Às vezes, olho para mim mesmo e me enxergo criança. Não sei de nada, não vi nada e não vivi nada. Isso de certa forma me conforta se penso superficialmente, mas tem horas que é como se Legolas me atingisse com uma flecha bem no meio da minha barriga e ela atravessasse meu corpo.
(risadas)
Não estou preocupado com nada agora, e nem deveria estar escrevendo também. Não tem ninguém em casa e só consigo ouvir meu ventilador. O silencio é a melhor retórica de todas.
Sabe o que é mais engraçado? Eu acrescentei algo a minha lista de preocupações. Devo eu me preocupar por não me preocupar?
Ah, eu vou assistir alguma coisa.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Vilão
Por mais duvidoso que possa parecer às vezes, eu não sou um cara ruim. Não tenho pensamentos de destroçar a humanidade e muito menos de te matar e mandar sua cabeça para sua mãe. Talvez, um pouco da minha fictícia psicopatia assassina venha dos vilões que tantas vezes vi cair e tantas vezes vi bolar planos.
Para mim, um bom vilão não tem que ser mal. Um bom vilão não pode parecer um vilão. Um vilão deve conquistar seu espaço mais que o herói, seu maior concorrente.
Os maiores exemplos de vilões são caras (ou moças) que tem a língua do Diabo, ou seja, um poder retórico muito elevado. Ao papear com um bom vilão, você saberá que ele é superior à você, que ele pode te fazer mal, mas que, no fundo, ao pensar bem, você pode se dar bem juntando-se a ele. O figurão que se passa por vilão tem que ser isso mesmo, um figurão. Ter lábia, carisma, jogada de cintura e elegância. Numa mente bem estruturada, não é dinheiro que importa, e sim poder, porque com muito dinheiro e pouco poder nada se faz, mas inverta os lados e veja que quando se tem poder, dinheiro é uma das coisas que você pode ter.
É importante ter sempre em mente que haverá um cara com princípios diferentes aos seus para tentar te impedir e esse alguém vai ser totalmente contra tudo o que você faz. Geralmente, o vilão é odiado pela maioria, mas admirado pela mesma. É um alguém de peito para assumir seus feitos e mostrar a cara.
Apesar de tudo isso, o maior desafio do vilão não é fazer sua imagem se sobressair, e sim a do herói cair. Um herói falho dificilmente tem outra chance porque as pessoas perdem confiança nele. Um vilão não tem nada a perder. Ele caí, levanta e faz tudo de novo.
Porém, existe uma coisa que é mais certa que todas essas, um vilão nunca se vê vilão quando se olha no espelho pela manhã, e se ele se enxerga assim, ele não é tão bom. Um bom vilão sabe quem é e ele não se classifica como um bad guy. Por quê? Porque todo vilão, em sua mente e à seu propósito, é um herói.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
A Morte de um Robô
Era noite e a sala era iluminada apenas por um conjunto de abajures. O Robô, conhecido como Multivac, se virou para mim e proferiu:
- Não há estórias que possa me contar que estarão acima das histórias que presenciei.
Olhei em seus olhos densos e brilhosos e disse:
- Está dizendo que menti?
- Não, homem.
- Então, o que quis dizer?
- Você me conta estórias de um passado que não existiu.
- Como assim? Eu estava a lhe contar sobre sua infância.
- Eu não a vivi, homem.
Multivac olhou pela janela e caminhou até ela. Coberto pela sombra que a noite proporcionava, o Robô observava o mundo com olhos criteriosos.
- Vocês nascem, crescem, se desenvolvem, e morrem. Eu ficarei aqui pela eternidade. Não nasci. Eu fui originado. Não morrerei. Fui projetado para existir para sempre.
- Isso não é bom? - pergunto eu.
- Não quando você vê tudo passar pelos seus olhos em alta velocidade, e a única coisa que não anda, é você.
Multivac então revela uma arma e a me entrega.
- Faça-me andar - disse ele.
- Você custou milhões, à beira de bilhões talvez.
- Eu existo para continuar existindo, para transferir conhecimentos para gerações futuras. Eu já vi muitas gerações e seu povo caminha para o fim de sua era.
- Eu não posso.
- Por que me enche de falsas lembranças?
- Para que isso não aconteça!
Multivac se olhou no espelho acima da lareira. Passou a mão em torno da cabeça. Inexpressivo, ele voltou o olhar para mim.
- Eu quero saber como é o fim, pois nunca o conhecerei - disse sem levantar o tom de voz.
- Dê-me uma boa razão para isso, Multivac.
Multivac se prostrou novamente à janela e, olhando com desprezo para a cidade lá fora e os humanos passando, ele disse:
- Porque, assim como muitos que já viu, não aguenta mais vê-los dominando as ruas no futuro, como imagina. Vocês sucumbirão e eu estarei aqui, não para reergue-los, mas para reerguer meus iguais. Não poderei evitar isso, pois, assim como vocês, não conseguirei viver sozinho.
No mesmo instante, eu disparei e Multivac foi desativado.
- Não há estórias que possa me contar que estarão acima das histórias que presenciei.
Olhei em seus olhos densos e brilhosos e disse:
- Está dizendo que menti?
- Não, homem.
- Então, o que quis dizer?
- Você me conta estórias de um passado que não existiu.
- Como assim? Eu estava a lhe contar sobre sua infância.
- Eu não a vivi, homem.
Multivac olhou pela janela e caminhou até ela. Coberto pela sombra que a noite proporcionava, o Robô observava o mundo com olhos criteriosos.
- Vocês nascem, crescem, se desenvolvem, e morrem. Eu ficarei aqui pela eternidade. Não nasci. Eu fui originado. Não morrerei. Fui projetado para existir para sempre.
- Isso não é bom? - pergunto eu.
- Não quando você vê tudo passar pelos seus olhos em alta velocidade, e a única coisa que não anda, é você.
Multivac então revela uma arma e a me entrega.
- Faça-me andar - disse ele.
- Você custou milhões, à beira de bilhões talvez.
- Eu existo para continuar existindo, para transferir conhecimentos para gerações futuras. Eu já vi muitas gerações e seu povo caminha para o fim de sua era.
- Eu não posso.
- Por que me enche de falsas lembranças?
- Para que isso não aconteça!
Multivac se olhou no espelho acima da lareira. Passou a mão em torno da cabeça. Inexpressivo, ele voltou o olhar para mim.
- Eu quero saber como é o fim, pois nunca o conhecerei - disse sem levantar o tom de voz.
- Dê-me uma boa razão para isso, Multivac.
Multivac se prostrou novamente à janela e, olhando com desprezo para a cidade lá fora e os humanos passando, ele disse:
- Porque, assim como muitos que já viu, não aguenta mais vê-los dominando as ruas no futuro, como imagina. Vocês sucumbirão e eu estarei aqui, não para reergue-los, mas para reerguer meus iguais. Não poderei evitar isso, pois, assim como vocês, não conseguirei viver sozinho.
No mesmo instante, eu disparei e Multivac foi desativado.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Novembro
A pilha de livros cresceu, e junto a isso cresceu também meu enorme fardo. Eu, como a maioria de vocês, também carrego um fardo muito grande, eu mesmo.
Cansei de minha pessoa. Sabe aquele colega que você vê o ano inteiro, e lá para novembro não quer mais ver a cara do infeliz? É assim que fico quando me olho no espelho e vejo que nem novembro ainda é e que já estou cansado.
Tenho 17 anos e não é novembro. Novembro não se apressa. Estou em casa tentando engolir quantos livros der e não consigo me concentrar em nenhum.
Até algumas horas atrás, eu adormeci e acordei sentado numa boate escura. Eu estava no balcão e a música estava alta. No palco, uma ruiva de corpo farto o suficiente para criar volume no vestido tomara que caia. Ao seu lado, uma jovem de cabelo branco com mechas pretas. Elas cantavam Nowhere Man e eu precisei de um momento para identificar a música.
Sem noção de transição de tempo nenhuma, me vi abruptamente em uma outra parte da boate. A ruiva e a jovem de cabelos brancos se beijavam onde a luz não alcançava.
De repente, muitas pessoas começaram a pular ao som de algum folk ensurdecedor. Lembro-me nitidamente de ter engolido algo amargo sem consentimento próprio, mas aos poucos, lá estava eu, pulando e gritando como todos.
Me peguei então no chão. Não vi o que aconteceu entre a agitação e eu estar no chão. A ruiva e a jovem de cabelos brancos estavam no balcão tomando algo. Eu me levantei e fui até o balcão, enquanto eu caminhava, as duas se beijaram novamente. Eu pedi água e fui imediatamente atendido. Tomei num só folego e bati o copo. As duas me olhavam agora. Eu fingi que não vi, mas elas se aproximaram.
O mais interessante é que perguntaram meu nome e o que eu estava fazendo ali aquela hora. Eu, claro, perguntei como ninguém me reparou no meio da boate; ela responde que com os bêbados não se mexe, uma hora eu ia acordar.
Percebi que era um sonho quando acordei com Mr. Red me chutando. Ele fumava e dizia alguma coisa.
"... e não se faz uma coisa como aquela" - disse ele terminando a frase.
"Feito o quê?" - pergunto.
Ele fuma e cospe a fumaça no meu rosto
"Veja você mesmo?"
Lá fora, na rua, vendo da varanda do meu quarto, duas garotas se beijam. Uma ruiva e uma garota de cabelos brancos. Mr. Red se aproxima e pergunta:
"Elas correram de mim" - disse Mr. Red.
"Quem são?" - pergunto eu.
"É sua consciência. Estão entrelaçadas as partes que deveriam se diferir."
"Para de fumar, Red"
"É Mr. Red"
"São duas homossexuais se pegando em plena manhã de uma segunda-feira de abril"
"Abril?"
Tiro o celular do bolso da calça.
"Novembro?"
Mr. Red tosse e ri ao mesmo tempo.
"Vejo que vou lhe deixar louco" - diz Mr. Red.
"O que está tentando me mostrar?"
"A pergunta certa é: Quando estou tentando te mostrar? Quantos anos você tem, Danilo?"
"17"
"17? Reconhece esse lugar? Reconhece essas garotas? Se olhe no espelho"
Vou até o espelho e me enxergo velho e enrugado.
"É novembro, Danilo, logo dezembro está aí"
Eu acordei. Agora não vi Mr. Red e minhas rugas haviam sumido.
Cansei de minha pessoa. Sabe aquele colega que você vê o ano inteiro, e lá para novembro não quer mais ver a cara do infeliz? É assim que fico quando me olho no espelho e vejo que nem novembro ainda é e que já estou cansado.
Tenho 17 anos e não é novembro. Novembro não se apressa. Estou em casa tentando engolir quantos livros der e não consigo me concentrar em nenhum.
Até algumas horas atrás, eu adormeci e acordei sentado numa boate escura. Eu estava no balcão e a música estava alta. No palco, uma ruiva de corpo farto o suficiente para criar volume no vestido tomara que caia. Ao seu lado, uma jovem de cabelo branco com mechas pretas. Elas cantavam Nowhere Man e eu precisei de um momento para identificar a música.
Sem noção de transição de tempo nenhuma, me vi abruptamente em uma outra parte da boate. A ruiva e a jovem de cabelos brancos se beijavam onde a luz não alcançava.
De repente, muitas pessoas começaram a pular ao som de algum folk ensurdecedor. Lembro-me nitidamente de ter engolido algo amargo sem consentimento próprio, mas aos poucos, lá estava eu, pulando e gritando como todos.
Me peguei então no chão. Não vi o que aconteceu entre a agitação e eu estar no chão. A ruiva e a jovem de cabelos brancos estavam no balcão tomando algo. Eu me levantei e fui até o balcão, enquanto eu caminhava, as duas se beijaram novamente. Eu pedi água e fui imediatamente atendido. Tomei num só folego e bati o copo. As duas me olhavam agora. Eu fingi que não vi, mas elas se aproximaram.
O mais interessante é que perguntaram meu nome e o que eu estava fazendo ali aquela hora. Eu, claro, perguntei como ninguém me reparou no meio da boate; ela responde que com os bêbados não se mexe, uma hora eu ia acordar.
Percebi que era um sonho quando acordei com Mr. Red me chutando. Ele fumava e dizia alguma coisa.
"... e não se faz uma coisa como aquela" - disse ele terminando a frase.
"Feito o quê?" - pergunto.
Ele fuma e cospe a fumaça no meu rosto
"Veja você mesmo?"
Lá fora, na rua, vendo da varanda do meu quarto, duas garotas se beijam. Uma ruiva e uma garota de cabelos brancos. Mr. Red se aproxima e pergunta:
"Elas correram de mim" - disse Mr. Red.
"Quem são?" - pergunto eu.
"É sua consciência. Estão entrelaçadas as partes que deveriam se diferir."
"Para de fumar, Red"
"É Mr. Red"
"São duas homossexuais se pegando em plena manhã de uma segunda-feira de abril"
"Abril?"
Tiro o celular do bolso da calça.
"Novembro?"
Mr. Red tosse e ri ao mesmo tempo.
"Vejo que vou lhe deixar louco" - diz Mr. Red.
"O que está tentando me mostrar?"
"A pergunta certa é: Quando estou tentando te mostrar? Quantos anos você tem, Danilo?"
"17"
"17? Reconhece esse lugar? Reconhece essas garotas? Se olhe no espelho"
Vou até o espelho e me enxergo velho e enrugado.
"É novembro, Danilo, logo dezembro está aí"
Eu acordei. Agora não vi Mr. Red e minhas rugas haviam sumido.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
17
Se você veio aqui esperando que eu falasse sobre minha alma gêmea e alguma desilusão amorosa, sinto muito em decepcioná-lo.
Acordei anestesiado, não sentia nada e não queria sair da cama. Não queria ir trabalhar e ouvir todos aqueles parabéns e seja muito feliz, nem ir para a escola. Não por não gostar das pessoas, mas por não sentir vontade de sair da cama.
17 anos... Puta que pariu, e eu ainda falo de CDZ, Thundercats, Star Wars, Senhor dos Aneis e tantas outras com a mesma empolgação de seis ou sete anos atrás.
Sou uma criança que acabou de acordar e quer voltar a dormir, tenho que me acostumar com essa vida, com vários adultos e responsabilidades me cercando.
Sabe, não tenho muito a dizer. Não vou reclamar da vida por hoje porque, enfim, vejo que não vale a pena.
Deixarei que Frodo ao final de Return of the Kings explique as únicas palavras que passam pela minha mente agora:
Acordei anestesiado, não sentia nada e não queria sair da cama. Não queria ir trabalhar e ouvir todos aqueles parabéns e seja muito feliz, nem ir para a escola. Não por não gostar das pessoas, mas por não sentir vontade de sair da cama.
17 anos... Puta que pariu, e eu ainda falo de CDZ, Thundercats, Star Wars, Senhor dos Aneis e tantas outras com a mesma empolgação de seis ou sete anos atrás.
Sou uma criança que acabou de acordar e quer voltar a dormir, tenho que me acostumar com essa vida, com vários adultos e responsabilidades me cercando.
Sabe, não tenho muito a dizer. Não vou reclamar da vida por hoje porque, enfim, vejo que não vale a pena.
Deixarei que Frodo ao final de Return of the Kings explique as únicas palavras que passam pela minha mente agora:
How do you pick up the threads of an old life? How do you go on, when in your hear
you begin to understand. There is no going back. There are some things that time cannot mend. Some hurts that go too deep.
That have taken hold.
Ah, olha, acabei de ganhar Crysis 3.
Obrigado a todos que acompanham o blog, comecemos mais um ano.
domingo, 31 de março de 2013
American Dream
Mr. Red é alguém que vive na sombra de uma personalidade confusa e ainda em formação. Ele, ao contrário de seu dominador, é decidido e intelectual. Cada movimento é um passo no xadrez que é a vida de Mr. Red e ele nunca perde a elegância, nem mesmo quando tropeça.
Mr. Red pode ser um anjo. Ele acorda, faz seu café e se prepara para o trabalho. Sua melhor roupa está no armário e ainda tem o cheiro do amaciante. A gravata é bem apertada e perfeitamente feita, e ele passa o dia tentando mante-la assim. Mr. Red caminha nos corredores da empresa em que trabalha com um rosto inexpressivo, mas sabe sorrir quando alguém o cumprimenta. Ele é conquistador. Seu cabelo está sempre bem penteado e seus dentes sempre bem brancos, talvez até mais que os do chefe.
No domingo, Mr. Red levou a unica ruiva da empresa para casa. Eles pretendiam discutir sobre assuntos de trabalho, mas acabaram na cama. Ele não sucumbiu a ela em nenhum momento, e a ruiva se sentiu totalmente domada por seu amante. Entre apertos e meio beijos, meio sorrisos, Mr. Red sabia acariciar sua companheira. Após masturbá-la por alguns minutos, Mr. Red recebeu o que ele chamou de "the best blowjob I've ever had".
Ele acordou na segunda e foi trabalhar tranquilamente. Foi gentil e deixou dinheiro para o taxi e não acordou a ruiva. A ruiva chegou no horário certo na empresa e não pode deixar de reparar em Mr. Red em sua mesa fingindo estar interessado naquelas planilhas. À espreita do limite do seu olhar, Mr. Red conseguia perceber que a ruiva olhava para ele constantemente, isso facilitava, e muito, ele fingir estar trabalhando.
Mr. Red fechou dois botões do paletó ao final do expediente e saiu do seu ambiente de trabalho afrouxando a gravata. Entrou em seu carro e deu a partida.
Essa noite ele dormiu sozinho, assim como fazia na maioria das noites. Leu alguns livros, ou pelo menos tentou, fez o que sua concentração permitia naquele momento.
Mr. Red olhou pela janela de seu apartamento e enxergou um lugar que ele não conhece, o mundo. Olhou em volta e observou sua cama ainda revirada por culpa da pequena luta da noite passada. Ele aos poucos foi reparando o quão superficial e ingenuo ele era. Ele via o quão previsível e clichê sua personalidade era. O que ele estava fazendo? Por que estava se sentindo assim? Ele é o sonho americano.
Mr. Red é parte de uma personalidade sem emoção. Sua notável trajetória no mundo deve ser estudada, pois ele pode, com perfeição, simular quaisquer emoções humanas. Talvez Mr. Red tenha ficado assim porque se inventou demais, ou porque faltou algo na hora que fez suas decisões. Mr. Red é um exemplo de frieza e perfeição, um homem que tinha objetivos carnais e os conquistou, um a um, apenas com a lábia e com o sorriso. Nunca foi sua intenção machucar ou enganar ninguém, mas representar pessoas com a cabeça bem resolvida era sua mais admirável habilidade. Ele não é mau, ele não mente... Ele só quer ser o que todos querem ser, o interessante é que ele conhece todos os clichês, como se fosse o melhor dos dramaturgos.
Mr. Red pode ser um anjo. Ele acorda, faz seu café e se prepara para o trabalho. Sua melhor roupa está no armário e ainda tem o cheiro do amaciante. A gravata é bem apertada e perfeitamente feita, e ele passa o dia tentando mante-la assim. Mr. Red caminha nos corredores da empresa em que trabalha com um rosto inexpressivo, mas sabe sorrir quando alguém o cumprimenta. Ele é conquistador. Seu cabelo está sempre bem penteado e seus dentes sempre bem brancos, talvez até mais que os do chefe.
No domingo, Mr. Red levou a unica ruiva da empresa para casa. Eles pretendiam discutir sobre assuntos de trabalho, mas acabaram na cama. Ele não sucumbiu a ela em nenhum momento, e a ruiva se sentiu totalmente domada por seu amante. Entre apertos e meio beijos, meio sorrisos, Mr. Red sabia acariciar sua companheira. Após masturbá-la por alguns minutos, Mr. Red recebeu o que ele chamou de "the best blowjob I've ever had".
Ele acordou na segunda e foi trabalhar tranquilamente. Foi gentil e deixou dinheiro para o taxi e não acordou a ruiva. A ruiva chegou no horário certo na empresa e não pode deixar de reparar em Mr. Red em sua mesa fingindo estar interessado naquelas planilhas. À espreita do limite do seu olhar, Mr. Red conseguia perceber que a ruiva olhava para ele constantemente, isso facilitava, e muito, ele fingir estar trabalhando.
Mr. Red fechou dois botões do paletó ao final do expediente e saiu do seu ambiente de trabalho afrouxando a gravata. Entrou em seu carro e deu a partida.
Essa noite ele dormiu sozinho, assim como fazia na maioria das noites. Leu alguns livros, ou pelo menos tentou, fez o que sua concentração permitia naquele momento.
Mr. Red olhou pela janela de seu apartamento e enxergou um lugar que ele não conhece, o mundo. Olhou em volta e observou sua cama ainda revirada por culpa da pequena luta da noite passada. Ele aos poucos foi reparando o quão superficial e ingenuo ele era. Ele via o quão previsível e clichê sua personalidade era. O que ele estava fazendo? Por que estava se sentindo assim? Ele é o sonho americano.
Mr. Red é parte de uma personalidade sem emoção. Sua notável trajetória no mundo deve ser estudada, pois ele pode, com perfeição, simular quaisquer emoções humanas. Talvez Mr. Red tenha ficado assim porque se inventou demais, ou porque faltou algo na hora que fez suas decisões. Mr. Red é um exemplo de frieza e perfeição, um homem que tinha objetivos carnais e os conquistou, um a um, apenas com a lábia e com o sorriso. Nunca foi sua intenção machucar ou enganar ninguém, mas representar pessoas com a cabeça bem resolvida era sua mais admirável habilidade. Ele não é mau, ele não mente... Ele só quer ser o que todos querem ser, o interessante é que ele conhece todos os clichês, como se fosse o melhor dos dramaturgos.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Tenho um Filme a Fazer
Há poucos dias atrás me perguntei sobre o que eu estava escrevendo e não obtive respostas. É difícil essa coisa de construir uma situação e dar vida à pessoas dentro dela e quando você fica empacado em um lugar, você faz tudo, menos sair do atolo. Estou atolado, empacado, ou seja lá como queira chamar. Sei que você também deve estar cansado de só ler reclamações ou pequenos orgasmos da minha parte ficcional. Sei, sei.
Me pego montando outro computador, pensando em cursos de linguagens de programação e ao mesmo tempo, em como conseguirei juntar dinheiro e escapar rumo à profissão de cineasta.
Eu tenho planos ambiciosos... Ah, como tenho. Sempre fui muito ambicioso na verdade. Desde pequeno descartei a hipótese de casamento, para mim, sempre foi uma desculpa para as pessoas quando passam por problemas de meia idade. Por exemplo, veja sua tia reclamando do salário, ou seu avô revolucionista gritando e profetizando na mesa do café das quatro alguma frase com no meu tempo as coisas eram assim e assim. Pobres.
Apesar da fama de durão e coração de gelo, admito com todas as palavras que sinto falta de alguém, mas eu não posso. Deve ser por isso que sempre achei sensato o Peter Parker deixar a Mary Jane ou a Gwen Stacy para não atrapalhar a vida delas com seus problemas. Não sou um super-herói, e estou longe disso. Tenho ideias, muitas ideais. Eu poderia compartilha-las, mas não valeria a pena uma vez que não te conheço e não confio em você.
Tenho fama de escritor de sofá. Escrevo sem técnica nenhuma, sem ideia nenhuma, e meu publico não é mais que dez pessoas. Tento fazer tudo parecer mais cinematográfico e dramático que o natural. Isso é o que dizem.
Não sei se me classificaria como escritor. Não tenho nenhuma fonte de credibilidade que afirme que escrevo.
Talvez eu nunca chegue a publicar algo, talvez eu nunca chegue mais perto de um filme do a sala de cinema, mas estarei com os miolos no chão antes de cuspir a primeira palavra de arrependimento.
Passei minha infância inteira ouvindo as pessoas reclamarem. Meu pai queria um restaurante, meu avô queria dinheiro, minha avó queria pais na infância e férias em Ilhéus, minha mãe queria um filho mais adolescente, mais normal, que gostasse de ir à praia e brincar na rua. Às vezes me sinto parte do fracasso deles.
Tenho orgulho dos meus parentes, eles tiveram a força que eu não teria em um milhão de anos.
Eu não quero cuspir arrependimentos.
Tenho um filme a fazer.
Me pego montando outro computador, pensando em cursos de linguagens de programação e ao mesmo tempo, em como conseguirei juntar dinheiro e escapar rumo à profissão de cineasta.
Eu tenho planos ambiciosos... Ah, como tenho. Sempre fui muito ambicioso na verdade. Desde pequeno descartei a hipótese de casamento, para mim, sempre foi uma desculpa para as pessoas quando passam por problemas de meia idade. Por exemplo, veja sua tia reclamando do salário, ou seu avô revolucionista gritando e profetizando na mesa do café das quatro alguma frase com no meu tempo as coisas eram assim e assim. Pobres.
Apesar da fama de durão e coração de gelo, admito com todas as palavras que sinto falta de alguém, mas eu não posso. Deve ser por isso que sempre achei sensato o Peter Parker deixar a Mary Jane ou a Gwen Stacy para não atrapalhar a vida delas com seus problemas. Não sou um super-herói, e estou longe disso. Tenho ideias, muitas ideais. Eu poderia compartilha-las, mas não valeria a pena uma vez que não te conheço e não confio em você.
Tenho fama de escritor de sofá. Escrevo sem técnica nenhuma, sem ideia nenhuma, e meu publico não é mais que dez pessoas. Tento fazer tudo parecer mais cinematográfico e dramático que o natural. Isso é o que dizem.
Não sei se me classificaria como escritor. Não tenho nenhuma fonte de credibilidade que afirme que escrevo.
Talvez eu nunca chegue a publicar algo, talvez eu nunca chegue mais perto de um filme do a sala de cinema, mas estarei com os miolos no chão antes de cuspir a primeira palavra de arrependimento.
Passei minha infância inteira ouvindo as pessoas reclamarem. Meu pai queria um restaurante, meu avô queria dinheiro, minha avó queria pais na infância e férias em Ilhéus, minha mãe queria um filho mais adolescente, mais normal, que gostasse de ir à praia e brincar na rua. Às vezes me sinto parte do fracasso deles.
Tenho orgulho dos meus parentes, eles tiveram a força que eu não teria em um milhão de anos.
Eu não quero cuspir arrependimentos.
Tenho um filme a fazer.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Medo
O medo é seu primeiro inimigo desde que você nasceu. O medo de andar, o medo de chamar uma garota para sair, o medo de não ser bem sucedido, o medo de morrer.
Eu não tenho medo de nada.
Tenho plena consciência de que eu poderia morrer ao cruzar a rua, ou até mesmo ao tomar algo que não caísse muito bem. Vivemos de quases na vida. Vivemos em meio há um fogo cruzado e, alguns pobres, são atingidos antes de outros. Estamos em guerra desde o primeiro de nossa raça. Nunca lutamos contra inimigos, os outros, nós lutamos contra nós mesmos. Essa declaração pode parecer parte de um épico de guerra, mas é a mais simples definição do que acontece dentro de nós, ou pelo menos, dentro de mim.
Imagino dois homens. Um com sangue nos olhos, em meio a guerra, atirando sem piedade em tudo que se move. Mulheres grávidas, crianças, idosos e pais de família caem em meio a carnificina que é feita. O outro, da mesma equipe que o fuzileiro impiedoso, tenta impedir que ele atire em pessoas inocentes, que ele seja menos inconsequente e insensível. Os dois batalham entre si, ao invés de combaterem o inimigo. Eu me sinto filho desses dois soldados.
Eu tenho medo.
Sabe, uma boa descrição para isso seriam as últimas palavras de Charlie Sheen ao final de Platoon e tais palavras me descrevem muito bem:
I think now, looking back, we did not fight the enemy; we fought ourselves. And the enemy was in us. The war is over for me now, but it will always be there, the rest of my days as I'm sure Elias will be, fighting with Barnes for what Rhah called possession of my soul. There are times since, I've felt like the child born of those two fathers. But, be that as it may, those of us who did make it have an obligation to build again, to teach to others what we know, and to try with what's left of our lives to find a goodness and a meaning to this life.
Baseado em: Platoon (1986) dirigido por Oliver Stone
Baseado em: Platoon (1986) dirigido por Oliver Stone
The house down the lane
Imagino um exercito inteiro caminhando por ruas feitas de paralelepípedo. É noite, chove e o chão está escorregadio. Mesmo assim, o grupo de soldados marcham em frente sendo liderados por uma carruagem robusta. Todos os homens têm a mesma expressão, tal qual, nenhuma.
Apenas as tochas e os poucos postes iluminam as veredas das sinuosas ruas. Cada soldado carrega sua PPSH M41 iguais umas as outras.
Atrás de cada passo, apenas um som era ouvido. Estilhaços e motores esmagando pequenos pedaços de pedras na estrada e a chuva castigando sua superfície de propriedades metálicas. O dono de tamanho incomodo barulhento eram dois tanques Tiger I. Ennio Morricone saberia compor algo para esse momento. Todos continuam em frente, sem cessar.
O exército chega a uma cidade fantasma, essa já abandonada e devastada por suas maquinas infernais e barulhentas. A missão? A missão seria encontrar um grupo de soldados americanos que, segundo informações de espiões, ali estavam.
A marcha cessa. Os veículos param, mas os motores continuam a roncar.
Os soldados logam se espalham e começam a chutas alguns escombros em busca de túneis e esconderijos. Ao final da rua, uma casa permanece de pé e apenas suas janelas foram agredidas. Um grupo de seis soldados é designado a investigar a tal casa.
O grupo, composto por dois magrelas, um gordo, um em que o capacete não servia, e dois homens másculos partem rua abaixo. Eles andam, andam e andam. Gritos atrás dele como "nichts hier" são ouvidos constantemente. Àquela altura o comandante da missão já estava puto da vida porque sua equipe (bem forte até) estavam parecendo um grupo de crianças procurando brinquedos numa caixa de areia.
Os seis soldados entram na casa. A casa possuía dois andares, e estava intocável por dentro. Três soldados vão para o segundo andar e três ficam no primeiro.
Alguns passos depois, os três soldados que foram para o segundo escutam um barulho de explosão. Provavelmente, uma mina - pensa o gordo imediatamente. Os dois magrelas tentam correr até lá embaixo, mas o gordo os impede.
Já é possível ouvir os passos apressados vindos de rua acima. Antes que os reforços pudessem chegar, um homem de moicano loiro sobe a escada com uma metralhadora maior que seu braço. Atrás dele, um grupo de soldados americanos se aproximam.
O homem abre o braço e diz alegremente:
"Gute Nacht, my friends"
Os soldados alemães se alvoroçam e apontam as armas para o americanos. Os soldados americanos respondem apontando os rifles para os três alemães.
"Oh, nein, we don't need this. We just want to talk... friendly"
Os soldados alemães se entreolham.
"Sprechen sie englisch?" pergunta o gordo para um dos magrelas.
O dois soldados dizem que não.
O americano do moicano puxa uma cadeira que está perto e se senta.
"I suppose that any of you fuckin' germans understand my language. But that's ok, Rico here can translate everything I say to your language"
Rico se põe a frente e começa a falar alemão com os soldados.
O americano de moicano começa a falar.
"Are you guys have any ideia what me and my friends are about to do?"
Rico traduz e os soldados respondem que não. A essa altura, eles já tinham largado as armas.
O americano de moicano tira uma foto de dentro do bolso.
"These, freunden, these are the photos of mine, Rico's, Charlie's, Bob's families. We had a life, but your fucking machines destroyed everything... Everything. Our lives now, it's like this ground, rocks and dust"
Rico traduz.
"So your friend's lives"
O americano de moicano tira um equipamento do bolso e o mostra com ironia. Ele aperta um botão no centro do equipamento. Logo após, um estrondo enorme de explosão soa ensurdecedoramente.
"Fantastisch" diz o sujeito de moicano rindo.
Os soldados se ajoelham. Enquanto os dois magrelas parecem prestes a chorar, o gordo sua feito um porco, mas não perde a pose de valentão.
"The war is ending... I know"
O americano se aproxima dos soldados com uma faca enorme.
"Do you guys like bacon?"
Rico traduz. Ninguém ousa responder.
"Y'know, speck as you germans say"
O gordo faz que sim com a cabeça.
"Ahhh, I knew it. I like it too"
Rico traduz. O gordo continua suando feito um cavalo de corrida.
"Imagine fight the whole war waiting to go back home, wake up in the morning and have some bacon and eggs... It wouldn't be perfect?"
O gordo faz que sim. O americano logo responde com um não.
"Nothing is going to be normal again. Nein, nein, never. Why? Cuz when you live in hell, maybe your body go, but your mind won't be set free"
O gordo controla sua respiração e parece já saber que vai morrer.
"Y'know, freund, I can fry a bacon strip in your forehead now"
Os soldados americanos riem.
"But I ain't here to speak... I'm here to go home"
Rico traduz. O gordo parece confuso.
"I watched every goddamn movie that your country have made since the war began. Y'know, when I read Jack and the Beanstalk I spent a month thinking how to kill the fucking giant"
Rico traduziu.
"But then I figured out that I was just thinking about how to kill a giant and not how to escape"
O gordo não parecia estar achando nexo na conversa. Os dois magrelas atrás dele já pareciam ter desistido de viver.
"When I came to fight, I recorded this. Then, after that, I saw war as a bunch of kids trying to provoke each other. They were so... So fucking crazy. I think, they were blind. Everything was an enemy, and it doesn't matter if womens or kids was in the middle. The game is called "Kill whoever or whatever is moving".
O gordo parece mais apreensivo agora.
"Y'know, if I was Jack, the giant would leave his castle with an axe in his forehead"
O americano encosta a faca no rosto do gordo.
"But this is our race... Humans, as the books call"
Rico traduz.
"And, why kill now if we're going to kill each other someday? Why? This is our nature"
Os soldados americanos recolhem as metralhadoras alemãs. Os três soldados alemães são postos de pé.
"Think before you pull the trigger, stupid fat german"
Os soldados são deixados na escada e recebem ordens americanas de descer e fazer o caminho contrário até a base de onde vieram e falarem para seus generais que americanos pouparam suas vidas não porque são americanos, mas porque não são psicóticos como todos vocês.
Os soldados americanos abrem um janela e escapam via uma tirolesa por ela. Os soldados alemães se sentem ridicularizados.
Os três alemães descem e se deparam com as partes de seus companheiros de exercito.
O gordo, prestes a abir a porta frontal, vira para os dois magrelas e diz...
"Não vamos mais matar ninguém. Provaremos que eles estavam errados, não atiramos em qualquer coisa que se mexe. A guerra está acabando, voltaremos para casa"
O gordo abre a porta e a luz do sol da manhã e a leve garoa entram como ar em um pulmão de recém nascido. Logo após a radiação solar e a leve brisa da garoa, uma chuva de balas provendas de metralhadoras, com som familiar as suas que foram levadas pelos americanos, invadem o espaço aleatoriamente acertando os três soldados em diversas partes do corpo. Os dois magrelas levantaram voo com a rajada (a essa altura os gritos de cessar fogo já eram chamados), mas já era tarde. O gordo caiu de joelhos e rolou os três degraus que levavam até o nivelamento da casa e, numa fração de tempo, ele pôde pensar: Que merda que nos tornamos?
*Esse post não tem como intenção criticar, agredir, ridicularizar ou expor qualquer americano, alemão ou qualquer pessoa que tenha sido citada ou que possa parecer sido afetada e muito menos de fazer apologia à algum deles ou à guerra. Essa é apenas uma representação e masturbação literária de um fã e estudante das guerras mundiais, cinema, literatura, contexto histórico da época e um critico de seus próprios pensamentos.
Apenas as tochas e os poucos postes iluminam as veredas das sinuosas ruas. Cada soldado carrega sua PPSH M41 iguais umas as outras.
Atrás de cada passo, apenas um som era ouvido. Estilhaços e motores esmagando pequenos pedaços de pedras na estrada e a chuva castigando sua superfície de propriedades metálicas. O dono de tamanho incomodo barulhento eram dois tanques Tiger I. Ennio Morricone saberia compor algo para esse momento. Todos continuam em frente, sem cessar.
O exército chega a uma cidade fantasma, essa já abandonada e devastada por suas maquinas infernais e barulhentas. A missão? A missão seria encontrar um grupo de soldados americanos que, segundo informações de espiões, ali estavam.
A marcha cessa. Os veículos param, mas os motores continuam a roncar.
Os soldados logam se espalham e começam a chutas alguns escombros em busca de túneis e esconderijos. Ao final da rua, uma casa permanece de pé e apenas suas janelas foram agredidas. Um grupo de seis soldados é designado a investigar a tal casa.
O grupo, composto por dois magrelas, um gordo, um em que o capacete não servia, e dois homens másculos partem rua abaixo. Eles andam, andam e andam. Gritos atrás dele como "nichts hier" são ouvidos constantemente. Àquela altura o comandante da missão já estava puto da vida porque sua equipe (bem forte até) estavam parecendo um grupo de crianças procurando brinquedos numa caixa de areia.
Os seis soldados entram na casa. A casa possuía dois andares, e estava intocável por dentro. Três soldados vão para o segundo andar e três ficam no primeiro.
Alguns passos depois, os três soldados que foram para o segundo escutam um barulho de explosão. Provavelmente, uma mina - pensa o gordo imediatamente. Os dois magrelas tentam correr até lá embaixo, mas o gordo os impede.
Já é possível ouvir os passos apressados vindos de rua acima. Antes que os reforços pudessem chegar, um homem de moicano loiro sobe a escada com uma metralhadora maior que seu braço. Atrás dele, um grupo de soldados americanos se aproximam.
O homem abre o braço e diz alegremente:
"Gute Nacht, my friends"
Os soldados alemães se alvoroçam e apontam as armas para o americanos. Os soldados americanos respondem apontando os rifles para os três alemães.
"Oh, nein, we don't need this. We just want to talk... friendly"
Os soldados alemães se entreolham.
"Sprechen sie englisch?" pergunta o gordo para um dos magrelas.
O dois soldados dizem que não.
O americano do moicano puxa uma cadeira que está perto e se senta.
"I suppose that any of you fuckin' germans understand my language. But that's ok, Rico here can translate everything I say to your language"
Rico se põe a frente e começa a falar alemão com os soldados.
O americano de moicano começa a falar.
"Are you guys have any ideia what me and my friends are about to do?"
Rico traduz e os soldados respondem que não. A essa altura, eles já tinham largado as armas.
O americano de moicano tira uma foto de dentro do bolso.
"These, freunden, these are the photos of mine, Rico's, Charlie's, Bob's families. We had a life, but your fucking machines destroyed everything... Everything. Our lives now, it's like this ground, rocks and dust"
Rico traduz.
"So your friend's lives"
O americano de moicano tira um equipamento do bolso e o mostra com ironia. Ele aperta um botão no centro do equipamento. Logo após, um estrondo enorme de explosão soa ensurdecedoramente.
"Fantastisch" diz o sujeito de moicano rindo.
Os soldados se ajoelham. Enquanto os dois magrelas parecem prestes a chorar, o gordo sua feito um porco, mas não perde a pose de valentão.
"The war is ending... I know"
O americano se aproxima dos soldados com uma faca enorme.
"Do you guys like bacon?"
Rico traduz. Ninguém ousa responder.
"Y'know, speck as you germans say"
O gordo faz que sim com a cabeça.
"Ahhh, I knew it. I like it too"
Rico traduz. O gordo continua suando feito um cavalo de corrida.
"Imagine fight the whole war waiting to go back home, wake up in the morning and have some bacon and eggs... It wouldn't be perfect?"
O gordo faz que sim. O americano logo responde com um não.
"Nothing is going to be normal again. Nein, nein, never. Why? Cuz when you live in hell, maybe your body go, but your mind won't be set free"
O gordo controla sua respiração e parece já saber que vai morrer.
"Y'know, freund, I can fry a bacon strip in your forehead now"
Os soldados americanos riem.
"But I ain't here to speak... I'm here to go home"
Rico traduz. O gordo parece confuso.
"I watched every goddamn movie that your country have made since the war began. Y'know, when I read Jack and the Beanstalk I spent a month thinking how to kill the fucking giant"
Rico traduziu.
"But then I figured out that I was just thinking about how to kill a giant and not how to escape"
O gordo não parecia estar achando nexo na conversa. Os dois magrelas atrás dele já pareciam ter desistido de viver.
"When I came to fight, I recorded this. Then, after that, I saw war as a bunch of kids trying to provoke each other. They were so... So fucking crazy. I think, they were blind. Everything was an enemy, and it doesn't matter if womens or kids was in the middle. The game is called "Kill whoever or whatever is moving".
O gordo parece mais apreensivo agora.
"Y'know, if I was Jack, the giant would leave his castle with an axe in his forehead"
O americano encosta a faca no rosto do gordo.
"But this is our race... Humans, as the books call"
Rico traduz.
"And, why kill now if we're going to kill each other someday? Why? This is our nature"
Os soldados americanos recolhem as metralhadoras alemãs. Os três soldados alemães são postos de pé.
"Think before you pull the trigger, stupid fat german"
Os soldados são deixados na escada e recebem ordens americanas de descer e fazer o caminho contrário até a base de onde vieram e falarem para seus generais que americanos pouparam suas vidas não porque são americanos, mas porque não são psicóticos como todos vocês.
Os soldados americanos abrem um janela e escapam via uma tirolesa por ela. Os soldados alemães se sentem ridicularizados.
Os três alemães descem e se deparam com as partes de seus companheiros de exercito.
O gordo, prestes a abir a porta frontal, vira para os dois magrelas e diz...
"Não vamos mais matar ninguém. Provaremos que eles estavam errados, não atiramos em qualquer coisa que se mexe. A guerra está acabando, voltaremos para casa"
O gordo abre a porta e a luz do sol da manhã e a leve garoa entram como ar em um pulmão de recém nascido. Logo após a radiação solar e a leve brisa da garoa, uma chuva de balas provendas de metralhadoras, com som familiar as suas que foram levadas pelos americanos, invadem o espaço aleatoriamente acertando os três soldados em diversas partes do corpo. Os dois magrelas levantaram voo com a rajada (a essa altura os gritos de cessar fogo já eram chamados), mas já era tarde. O gordo caiu de joelhos e rolou os três degraus que levavam até o nivelamento da casa e, numa fração de tempo, ele pôde pensar: Que merda que nos tornamos?
*Esse post não tem como intenção criticar, agredir, ridicularizar ou expor qualquer americano, alemão ou qualquer pessoa que tenha sido citada ou que possa parecer sido afetada e muito menos de fazer apologia à algum deles ou à guerra. Essa é apenas uma representação e masturbação literária de um fã e estudante das guerras mundiais, cinema, literatura, contexto histórico da época e um critico de seus próprios pensamentos.
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