Sexo. Vaginas. Pênis. Prazer. Esse processo se promove por si só. As ruas fedem a esperma, sujeira e malicia. Todos e tudo. Assim como Bickle queria, uma tempestade um dia irá limpar esse esgoto metropolitano e levar todos e tudo água abaixo.
As pessoas querem viver romances, mas não ligam para o que aconteceu com o background da história. É impossível viver um romance nos dias de hoje. Impossível.
Você ama, é amado. Como é isso? Como é isso hoje? Realmente às vezes desejo sentir aquela sensação quente novamente. A perda de um amor é como uma droga. Queima sua veia. Faz você tremer e suar frio.
Dor. A dor é a prova e o termômetro de quão humano você é, de quão forte ou quão fraco é, e o teste se aguentará ou não passar por isso novamente. Eu perdi algumas pessoas, mas não dói, não sinto o vazio, não sinto falta. Elas se foram. Isso me faz menos humano? Menos normal? Qual é o padrão de normalidade hoje? Não temos a resposta.
Porém, é possível ver que todos anseiam por uma vida perfeita. Óbvio. Vidas que já foram descritas em filmes, livros, poemas ou músicas. Clichês. Todos nós ansiamos pela mesma coisa, só que de maneiras diferentes.
O que nos faz pensar em uma vida perfeita? É porque não temos uma. Não temos. E isso é nossa culpa. Culpa de uma criatura que se perdeu em prazer e dinheiro e esqueceu de seu eu interior. Uma criatura que estende seus prazos para alcançar coisas no trabalho ou na vida profissional. Mais dinheiro. Dinheiro leva a sexo.
Estamos sujos.
Somos um eterno clichê. Sempre estaremos a procura da princesa guardada a sete chaves pelo dragão, ou nos apaixonaremos ou ansiaremos logo o que não podemos ter, e sempre teremos a esperança de que no final enterramos a espada no coração do dragão.
Se temos consciência disso? Obviamente, sim. Somos como um clichê, dá merda no meio da estória, mas ansiamos e temos a esperança de um final feliz. O mundo é um clichê e se acomodou nele.
sábado, 21 de julho de 2012
sábado, 14 de julho de 2012
Tolos lobos
Se há cenários perfeitos para uma história acontecer, eu realmente não os conheço. Não há beijos na chuva e muito menos um longo amasso no carro. Não há cinema com a namorada e nem futebol com os amigos. Não há uma pilha de livros velhos dos quais tiro minhas melhores palavras em cima da minha cama. Não tomo café pensando na vida. Não viajo a lugares distantes. Não escrevo à luz da lua. Não tiro fotos de pessoas que parecem realmente um incentivo a encontrar um carma melhor. Eu nem ao menos levo a sério essa história de carma. Mas ainda há pessoas que me enxergam como um romance. Pobres tolos. Eu enxergo um cenário para eles. Um mundo falso e artificial, onde o objetivo é parecer a pessoa mais triste e dependente do mundo. Uma pessoa que grita sem ao menos atiçar a voz. As pessoas fingem muita coisa ao passarem durante a vida. Às vezes, fingem e mentem para si mesmas, algo como "Não, não é fingimento. É adequação. Adaptação", mas no fundo sabem que é tudo uma grande mentira. Qual o ponto em viver assim? Mentindo para si mesmo. Não se influencie. Seja a influencia. Pelo menos assim, conhecerá o terreno dos outros. O campo minado é revelado. Soará como um conselho aos outros, mas não é. Essa é mais uma nota mental para eu mesmo.
Não devemos fingir nada a nós mesmos, uma hora nos encontramos conosco cara a cara, e não reconhecemo-nos. É como cavar um buraco, armar a armadilha e no final nos pegarmos. Esse é um outro lado entendível da famosa frase de Hobbes - O homem é o lobo do homem.
Não devemos fingir nada a nós mesmos, uma hora nos encontramos conosco cara a cara, e não reconhecemo-nos. É como cavar um buraco, armar a armadilha e no final nos pegarmos. Esse é um outro lado entendível da famosa frase de Hobbes - O homem é o lobo do homem.
Fucking pigs
Odeio pessoas que comem de boca aberta ou que fazem sons perceptíveis aos meus ouvidos. São como interferências na minha estação de rádio exclusiva. Há muitas interferências na minha cabeça, impossibilitando que eu continue com minhas notas mentais e meus monólogos diários.
Um homem, quarenta e cinco anos, pastor, marido, pai, dono de uma vida normal. Ele está morto. Traumatismo cranioencefálico causado por um martelo. Sangue. Muito Sangue. É impossível caminhar calmamente, não se preocupar em não sujar os sapatos. Ele morreu de olhos abertos olhando para o teto branco. Ele está em paz agora? Ele morreu acreditando no que acredita? Deus? Dio? God? Em que língua a morte fala? O que ela nos conta na hora h? Uma pena não termos a resposta.
Com os miolos e as vergonhas expostas, o pastor olha fixamente para o teto com uma expressão sem vida e torta. Ele sentiu dor? Sua alma está ao meu lado agora compartilhando meu monólogo? Eu duvido.
Um homem esbarra em mim, o café é quase derrubado na minha camiseta nova e um "ooups" substitui o pedido de desculpas. Olho para ele inexpressivo. O homem leva o café até a boca fazendo um barulho repugnante e irritante. Ele arrota disfarçadamente e pega o relatório. Filthy pig.
O pastor continua no chão sendo fotografado por legistas e investigadores. As janelas e cortinas são fechadas para que possa ser revelado mais algum tipo de sangue no resto da casa. Flashes e mais flashes no ambiente. Lanternas especiais. Dor de cabeça. O ambiente está parecendo uma boate de Miami, só nos falta o êxtase. Continuo andando em frente, entro em um quarto e me deparo com uma mulher na cama.
Trinta e nove anos, esposa, mãe, feliz. Morta do mesmo jeito que o marido. Ela está deitada sob a cama, nua de braços abertos e pernas cruzadas. Seria esta alguma referencia bíblica?
Ouço meu nome e volto para onde estava. A quem pertence a voz feminina me chamando. Volto e o corpo não está mais lá. Não há mais pessoas na cena do crime. Onde está o sangue? Corro de volta ao quarto. Onde está a mulher? Todos se foram.
Continuo ouvindo meu nome.
Abro a porta da frente, mas não me deparo com o sol e nem com a rua, me deparo com mais um comodo, um corredor longo e escuro. Ando em frente e me deparo com uma porta. Ouço meu nome mais claramente. Toco a maçaneta. Flashes. Um corpo masculino esquartejado numa maca. Flashes. Uma mulher em cima da cama, nua e morta. Flashes. Eu coberto de sangue. Flashes. Eu sei quem são essas pessoas. Flashes. Abro a porta. Milhões de flashes, como se fossem milhões de câmeras. Flashes.
- DANILO, porra! - chama um dos meus colegas de trabalho e então eu percebo que estava apenas preso em um devaneio.
Oh, pego em mais um de meus devaneios. O gordo ao meu lado não está mastigando seu hambúrguer, e sim mascando-o. Muitas pessoas estão falando ao mesmo tempo. Assuntos fúteis. Eu acabei de matar a todos em minha cabeça. Fora um massacre. Esbanjei e aproveitei a minha raiva.
- Você estava dormindo? Te chamei quase vinte vezes. Achei que você tinha bebido muita coca-cola. Comeu demais? - pergunta o colega.
- Estou bem. Eu estava apenas distraído.
- Eu só quero dizer que já enviei aquele documento que você formulou para o chefe.
Well done, ficou com todo meu crédito.
- Ele disse que poderá assinar e enviar em três dias.
Eu poderia lhe matar em três segundos.
- hm, isso é bom - digo eu.
O massacre que eu acabei de vivenciar em minha cabeça foi cometido por mim. Não tenho desejo por sangue. Mas a morte vem em devaneios às vezes como se fossem metáforas para o que está realmente acontecendo.
Treze e trinta da tarde. Um gole de Coca-cola. Volto ao trabalho, longe do gordo nojento, só eu, e minha estação sintonizada e sem interferências.
Um homem, quarenta e cinco anos, pastor, marido, pai, dono de uma vida normal. Ele está morto. Traumatismo cranioencefálico causado por um martelo. Sangue. Muito Sangue. É impossível caminhar calmamente, não se preocupar em não sujar os sapatos. Ele morreu de olhos abertos olhando para o teto branco. Ele está em paz agora? Ele morreu acreditando no que acredita? Deus? Dio? God? Em que língua a morte fala? O que ela nos conta na hora h? Uma pena não termos a resposta.
Com os miolos e as vergonhas expostas, o pastor olha fixamente para o teto com uma expressão sem vida e torta. Ele sentiu dor? Sua alma está ao meu lado agora compartilhando meu monólogo? Eu duvido.
Um homem esbarra em mim, o café é quase derrubado na minha camiseta nova e um "ooups" substitui o pedido de desculpas. Olho para ele inexpressivo. O homem leva o café até a boca fazendo um barulho repugnante e irritante. Ele arrota disfarçadamente e pega o relatório. Filthy pig.
O pastor continua no chão sendo fotografado por legistas e investigadores. As janelas e cortinas são fechadas para que possa ser revelado mais algum tipo de sangue no resto da casa. Flashes e mais flashes no ambiente. Lanternas especiais. Dor de cabeça. O ambiente está parecendo uma boate de Miami, só nos falta o êxtase. Continuo andando em frente, entro em um quarto e me deparo com uma mulher na cama.
Trinta e nove anos, esposa, mãe, feliz. Morta do mesmo jeito que o marido. Ela está deitada sob a cama, nua de braços abertos e pernas cruzadas. Seria esta alguma referencia bíblica?
Ouço meu nome e volto para onde estava. A quem pertence a voz feminina me chamando. Volto e o corpo não está mais lá. Não há mais pessoas na cena do crime. Onde está o sangue? Corro de volta ao quarto. Onde está a mulher? Todos se foram.
Continuo ouvindo meu nome.
Abro a porta da frente, mas não me deparo com o sol e nem com a rua, me deparo com mais um comodo, um corredor longo e escuro. Ando em frente e me deparo com uma porta. Ouço meu nome mais claramente. Toco a maçaneta. Flashes. Um corpo masculino esquartejado numa maca. Flashes. Uma mulher em cima da cama, nua e morta. Flashes. Eu coberto de sangue. Flashes. Eu sei quem são essas pessoas. Flashes. Abro a porta. Milhões de flashes, como se fossem milhões de câmeras. Flashes.
- DANILO, porra! - chama um dos meus colegas de trabalho e então eu percebo que estava apenas preso em um devaneio.
Oh, pego em mais um de meus devaneios. O gordo ao meu lado não está mastigando seu hambúrguer, e sim mascando-o. Muitas pessoas estão falando ao mesmo tempo. Assuntos fúteis. Eu acabei de matar a todos em minha cabeça. Fora um massacre. Esbanjei e aproveitei a minha raiva.
- Você estava dormindo? Te chamei quase vinte vezes. Achei que você tinha bebido muita coca-cola. Comeu demais? - pergunta o colega.
- Estou bem. Eu estava apenas distraído.
- Eu só quero dizer que já enviei aquele documento que você formulou para o chefe.
Well done, ficou com todo meu crédito.
- Ele disse que poderá assinar e enviar em três dias.
Eu poderia lhe matar em três segundos.
- hm, isso é bom - digo eu.
O massacre que eu acabei de vivenciar em minha cabeça foi cometido por mim. Não tenho desejo por sangue. Mas a morte vem em devaneios às vezes como se fossem metáforas para o que está realmente acontecendo.
Treze e trinta da tarde. Um gole de Coca-cola. Volto ao trabalho, longe do gordo nojento, só eu, e minha estação sintonizada e sem interferências.
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