sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A Triste Morte do meu Computador

Quando meu computador chegou ao final de sua vida ele já sabia que a NSA sabia sobre todos os seus segredos. Com aproximadamente 80gb ocupados de uma capacidade de 600gb ocupados só de músicas ilegalmente adquiridas, o modelo composto por um processador intel i3, 4gb de Ram e uma GTX 660Ti viu mais do mundo do que eu. Apesar da dor, essa não foi a minha primeira perda.
Eu devia ter aproximadamente 9 anos quando perdi meu antigo amigo que rodava Windows XP e me apresentou o mundo dos emuladores e da pornografia. Grande parte do meu conhecimento cultural primordial veio através do meu guerreiro XP que me mostrou muitos quem e o quê. Desde de Sasha Grey à H.G. Wells, a oportunidade de viajar dentre várias camadas de conhecimento me permitiu desdenhar o conhecimento mínimo que a escola proporcionava e também até a escolher sobre o que eu iria me aprofundar. Este computador que perdi aos 9 anos morreu aos poucos depois de várias trocas de peças e upgrades. Assim, com o tempo, ele se definhou numa máquina um tanto forte para sua geração, mas fraca para aquela época. Lá se foram minhas músicas, meus emuladores, minhas roms e a minha secreta pornografia.
Eu nunca fui uma pessoa de muita sorte, e tentei não contar muito com ela durante minha infância. Então, internet discada e coisas do gênero que poderiam te colocar em apuros eram diariamente bem planejadas. Uma hora de internet discada era resultaria em um dia sem internet discadas nas próximas 24 horas. O antivírus não deu conta quando meu querido computador morreu e desistiu juntamente. Como acontece em nosso sistema, meu computador foi substituído por outro superior algum tempo depois - este que também permaneceu bravamente por bons três anos até eu ganhar o dito cujo computador que protagoniza este post. Nele abri esse blog, escrevi páginas e mais páginas dos meus contos e livros, assisti muitos filmes e séries e, claro, pornografia. Ele cresceu comigo, me acompanhou desde a oitava série ao final do meu colegial.
Enfim, nessa última terça-feira, chegou ao fim a jornada do meu computador que nem ao menos se despediu. Encontrei o mesmo sem ligar mais e na mesma hora chequei todas as suas funções criticas e constatei que estavam todas queimadas. Porém, não fica o gosto de perda e sim a curiosidade de quem será o sucessor melhor, menor, mais forte, mais leve, maior, e com uma assistência técnica mais atenciosa.