Mr. Red é alguém que vive na sombra de uma personalidade confusa e ainda em formação. Ele, ao contrário de seu dominador, é decidido e intelectual. Cada movimento é um passo no xadrez que é a vida de Mr. Red e ele nunca perde a elegância, nem mesmo quando tropeça.
Mr. Red pode ser um anjo. Ele acorda, faz seu café e se prepara para o trabalho. Sua melhor roupa está no armário e ainda tem o cheiro do amaciante. A gravata é bem apertada e perfeitamente feita, e ele passa o dia tentando mante-la assim. Mr. Red caminha nos corredores da empresa em que trabalha com um rosto inexpressivo, mas sabe sorrir quando alguém o cumprimenta. Ele é conquistador. Seu cabelo está sempre bem penteado e seus dentes sempre bem brancos, talvez até mais que os do chefe.
No domingo, Mr. Red levou a unica ruiva da empresa para casa. Eles pretendiam discutir sobre assuntos de trabalho, mas acabaram na cama. Ele não sucumbiu a ela em nenhum momento, e a ruiva se sentiu totalmente domada por seu amante. Entre apertos e meio beijos, meio sorrisos, Mr. Red sabia acariciar sua companheira. Após masturbá-la por alguns minutos, Mr. Red recebeu o que ele chamou de "the best blowjob I've ever had".
Ele acordou na segunda e foi trabalhar tranquilamente. Foi gentil e deixou dinheiro para o taxi e não acordou a ruiva. A ruiva chegou no horário certo na empresa e não pode deixar de reparar em Mr. Red em sua mesa fingindo estar interessado naquelas planilhas. À espreita do limite do seu olhar, Mr. Red conseguia perceber que a ruiva olhava para ele constantemente, isso facilitava, e muito, ele fingir estar trabalhando.
Mr. Red fechou dois botões do paletó ao final do expediente e saiu do seu ambiente de trabalho afrouxando a gravata. Entrou em seu carro e deu a partida.
Essa noite ele dormiu sozinho, assim como fazia na maioria das noites. Leu alguns livros, ou pelo menos tentou, fez o que sua concentração permitia naquele momento.
Mr. Red olhou pela janela de seu apartamento e enxergou um lugar que ele não conhece, o mundo. Olhou em volta e observou sua cama ainda revirada por culpa da pequena luta da noite passada. Ele aos poucos foi reparando o quão superficial e ingenuo ele era. Ele via o quão previsível e clichê sua personalidade era. O que ele estava fazendo? Por que estava se sentindo assim? Ele é o sonho americano.
Mr. Red é parte de uma personalidade sem emoção. Sua notável trajetória no mundo deve ser estudada, pois ele pode, com perfeição, simular quaisquer emoções humanas. Talvez Mr. Red tenha ficado assim porque se inventou demais, ou porque faltou algo na hora que fez suas decisões. Mr. Red é um exemplo de frieza e perfeição, um homem que tinha objetivos carnais e os conquistou, um a um, apenas com a lábia e com o sorriso. Nunca foi sua intenção machucar ou enganar ninguém, mas representar pessoas com a cabeça bem resolvida era sua mais admirável habilidade. Ele não é mau, ele não mente... Ele só quer ser o que todos querem ser, o interessante é que ele conhece todos os clichês, como se fosse o melhor dos dramaturgos.
domingo, 31 de março de 2013
segunda-feira, 11 de março de 2013
Tenho um Filme a Fazer
Há poucos dias atrás me perguntei sobre o que eu estava escrevendo e não obtive respostas. É difícil essa coisa de construir uma situação e dar vida à pessoas dentro dela e quando você fica empacado em um lugar, você faz tudo, menos sair do atolo. Estou atolado, empacado, ou seja lá como queira chamar. Sei que você também deve estar cansado de só ler reclamações ou pequenos orgasmos da minha parte ficcional. Sei, sei.
Me pego montando outro computador, pensando em cursos de linguagens de programação e ao mesmo tempo, em como conseguirei juntar dinheiro e escapar rumo à profissão de cineasta.
Eu tenho planos ambiciosos... Ah, como tenho. Sempre fui muito ambicioso na verdade. Desde pequeno descartei a hipótese de casamento, para mim, sempre foi uma desculpa para as pessoas quando passam por problemas de meia idade. Por exemplo, veja sua tia reclamando do salário, ou seu avô revolucionista gritando e profetizando na mesa do café das quatro alguma frase com no meu tempo as coisas eram assim e assim. Pobres.
Apesar da fama de durão e coração de gelo, admito com todas as palavras que sinto falta de alguém, mas eu não posso. Deve ser por isso que sempre achei sensato o Peter Parker deixar a Mary Jane ou a Gwen Stacy para não atrapalhar a vida delas com seus problemas. Não sou um super-herói, e estou longe disso. Tenho ideias, muitas ideais. Eu poderia compartilha-las, mas não valeria a pena uma vez que não te conheço e não confio em você.
Tenho fama de escritor de sofá. Escrevo sem técnica nenhuma, sem ideia nenhuma, e meu publico não é mais que dez pessoas. Tento fazer tudo parecer mais cinematográfico e dramático que o natural. Isso é o que dizem.
Não sei se me classificaria como escritor. Não tenho nenhuma fonte de credibilidade que afirme que escrevo.
Talvez eu nunca chegue a publicar algo, talvez eu nunca chegue mais perto de um filme do a sala de cinema, mas estarei com os miolos no chão antes de cuspir a primeira palavra de arrependimento.
Passei minha infância inteira ouvindo as pessoas reclamarem. Meu pai queria um restaurante, meu avô queria dinheiro, minha avó queria pais na infância e férias em Ilhéus, minha mãe queria um filho mais adolescente, mais normal, que gostasse de ir à praia e brincar na rua. Às vezes me sinto parte do fracasso deles.
Tenho orgulho dos meus parentes, eles tiveram a força que eu não teria em um milhão de anos.
Eu não quero cuspir arrependimentos.
Tenho um filme a fazer.
Me pego montando outro computador, pensando em cursos de linguagens de programação e ao mesmo tempo, em como conseguirei juntar dinheiro e escapar rumo à profissão de cineasta.
Eu tenho planos ambiciosos... Ah, como tenho. Sempre fui muito ambicioso na verdade. Desde pequeno descartei a hipótese de casamento, para mim, sempre foi uma desculpa para as pessoas quando passam por problemas de meia idade. Por exemplo, veja sua tia reclamando do salário, ou seu avô revolucionista gritando e profetizando na mesa do café das quatro alguma frase com no meu tempo as coisas eram assim e assim. Pobres.
Apesar da fama de durão e coração de gelo, admito com todas as palavras que sinto falta de alguém, mas eu não posso. Deve ser por isso que sempre achei sensato o Peter Parker deixar a Mary Jane ou a Gwen Stacy para não atrapalhar a vida delas com seus problemas. Não sou um super-herói, e estou longe disso. Tenho ideias, muitas ideais. Eu poderia compartilha-las, mas não valeria a pena uma vez que não te conheço e não confio em você.
Tenho fama de escritor de sofá. Escrevo sem técnica nenhuma, sem ideia nenhuma, e meu publico não é mais que dez pessoas. Tento fazer tudo parecer mais cinematográfico e dramático que o natural. Isso é o que dizem.
Não sei se me classificaria como escritor. Não tenho nenhuma fonte de credibilidade que afirme que escrevo.
Talvez eu nunca chegue a publicar algo, talvez eu nunca chegue mais perto de um filme do a sala de cinema, mas estarei com os miolos no chão antes de cuspir a primeira palavra de arrependimento.
Passei minha infância inteira ouvindo as pessoas reclamarem. Meu pai queria um restaurante, meu avô queria dinheiro, minha avó queria pais na infância e férias em Ilhéus, minha mãe queria um filho mais adolescente, mais normal, que gostasse de ir à praia e brincar na rua. Às vezes me sinto parte do fracasso deles.
Tenho orgulho dos meus parentes, eles tiveram a força que eu não teria em um milhão de anos.
Eu não quero cuspir arrependimentos.
Tenho um filme a fazer.
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