segunda-feira, 11 de março de 2013

Tenho um Filme a Fazer

Há poucos dias atrás me perguntei sobre o que eu estava escrevendo e não obtive respostas. É difícil essa coisa de construir uma situação e dar vida à pessoas dentro dela e quando você fica empacado em um lugar, você faz tudo, menos sair do atolo. Estou atolado, empacado, ou seja lá como queira chamar. Sei que você também deve estar cansado de só ler reclamações ou pequenos orgasmos da minha parte ficcional. Sei, sei.
Me pego montando outro computador, pensando em cursos de linguagens de programação e ao mesmo tempo, em como conseguirei juntar dinheiro e escapar rumo à profissão de cineasta.
Eu tenho planos ambiciosos... Ah, como tenho. Sempre fui muito ambicioso na verdade. Desde pequeno descartei a hipótese de casamento, para mim, sempre foi uma desculpa para as pessoas quando passam por problemas de meia idade. Por exemplo, veja sua tia reclamando do salário, ou seu avô revolucionista gritando e profetizando na mesa do café das quatro alguma frase com no meu tempo as coisas eram assim e assim. Pobres.
Apesar da fama de durão e coração de gelo, admito com todas as palavras que sinto falta de alguém, mas eu não posso. Deve ser por isso que sempre achei sensato o Peter Parker deixar a Mary Jane ou a Gwen Stacy para não atrapalhar a vida delas com seus problemas. Não sou um super-herói, e estou longe disso. Tenho ideias, muitas ideais. Eu poderia compartilha-las, mas não valeria a pena uma vez que não te conheço e não confio em você.
Tenho fama de escritor de sofá. Escrevo sem técnica nenhuma, sem ideia nenhuma, e meu publico não é mais que dez pessoas. Tento fazer tudo parecer mais cinematográfico e dramático que o natural. Isso é o que dizem.
Não sei se me classificaria como escritor. Não tenho nenhuma fonte de credibilidade que afirme que escrevo.
Talvez eu nunca chegue a publicar algo, talvez eu nunca chegue mais perto de um filme do a sala de cinema, mas estarei com os miolos no chão antes de cuspir a primeira palavra de arrependimento.
Passei minha infância inteira ouvindo as pessoas reclamarem. Meu pai queria um restaurante, meu avô queria dinheiro, minha avó queria pais na infância e férias em Ilhéus, minha mãe queria um filho mais adolescente, mais normal, que gostasse de ir à praia e brincar na rua. Às vezes me sinto parte do fracasso deles.
Tenho orgulho dos meus parentes, eles tiveram a força que eu não teria em um milhão de anos.
Eu não quero cuspir arrependimentos.
Tenho um filme a fazer.

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