Tudo acontece tão rápido. Meu professor de história falando mal do Mel Gibson enquanto uma gargalhada enorme é solta atrás de mim por uma rodinha de conversa da qual prefiro não citar nomes. O headphone pinicando os fios de cabelo na minha nuca, e o ventilador da sala cortando em fatias o ar fazendo um som parecido com vush, vush. O sorriso amarelo do meu professor ao terminar a critica contra o Mel Gibson, a bolinha de papel jogada do fundo da sala bate na borda da cesta de lixo e caí para fora. Barulho de cadeira sendo arrastada, um "ô profêh" gritado do fundo da sala chama a atenção do professor que procura o sujeito que gritou. Maldita hora que levantei para vir à escola aguentar isso, penso eu. O professor volta a atenção dele para mim, e sorri novamente ao criticar os filmes japoneses. Riu timidamente, o professor disserta mais, gesticula, e eu solto um sorriso oblíquo. Uma menina escrevendo o endereço do twitter dela na lousa, e eu vasculhando cada canto da sala com os olhos, de boca fechada e ainda balançando a cabeça positivamente com aquele sorriso oblíquo para o professor como se eu estivesse concordando com tudo. A porta bate, a menina grita, o professor gesticula e critica, a estudiosa escreve, o menino comenta a última rodada do brasileirão, e eu... porra, eu estou no meio disso tudo. É como um bebê no meio de uma guerra vietnamita. De repente, o professor tira o sorriso do rosto, e tudo fica quieto, olho para trás e vejo a paciencia do professor estourar contra o pessoal do fundo da sala. Bum, shh, BUM, shh. Meus dias são assim.
E mesmo que eu fale que meus dias são assim, devo confessar que tudo isso ocorreu em menos de dez segundos.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Existem muitos poucos anjos que cantam
Existem muitos poucos cães que latem
Mil violinos cabem na palma da minha mão
Mas está chorando um enorme cão
E o choro é um enorme anjo
E o choro é um violino imenso
Lágrimas calam o vento
E não podem ouvir outro a não ser o choro
Frederico Garcia Lorca (por Javier Beltrán) no filme "Little Ashes" de Paul Morrison, 2008, Reino Unido
Existem muitos poucos cães que latem
Mil violinos cabem na palma da minha mão
Mas está chorando um enorme cão
E o choro é um enorme anjo
E o choro é um violino imenso
Lágrimas calam o vento
E não podem ouvir outro a não ser o choro
Frederico Garcia Lorca (por Javier Beltrán) no filme "Little Ashes" de Paul Morrison, 2008, Reino Unido
sábado, 12 de novembro de 2011
O que quero que volte para mim é o que acredito que me fará bem
O que acredito é o que vejo
O que vejo é o que vivo
O que vivo é o que sinto
O que sinto é o que não entendo
O que entendo é o que escrevo
O que escrevo é o que sei
O que sei é o que aprendi
O que aprendi é o que papeio
O que papeio é o que jogo contra o vento
O que jogo contra o vento é o que quero que volte para mim
O que acredito é o que vejo
O que vejo é o que vivo
O que vivo é o que sinto
O que sinto é o que não entendo
O que entendo é o que escrevo
O que escrevo é o que sei
O que sei é o que aprendi
O que aprendi é o que papeio
O que papeio é o que jogo contra o vento
O que jogo contra o vento é o que quero que volte para mim
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Prazos
Vai tudo ficar bem, mês que vem tá aí, penso eu. Chega o mês seguinte, e nada acontece. Então me dou um novo prazo. Esse prazo estoura mais uma vez, e nada acontece de novo. Me dou mais um prazo, e vou me dando prazos até algo acontecer.
Isso não me deixa respirar.
Isso não me deixa respirar.
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