quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Slow motion

Tudo acontece tão rápido. Meu professor de história falando mal do Mel Gibson enquanto uma gargalhada enorme é solta atrás de mim por uma rodinha de conversa da qual prefiro não citar nomes. O headphone pinicando os fios de cabelo na minha nuca, e o ventilador da sala cortando em fatias o ar fazendo um som parecido com vush, vush. O sorriso amarelo do meu professor ao terminar a critica contra o Mel Gibson, a bolinha de papel jogada do fundo da sala bate na borda da cesta de lixo e caí para fora. Barulho de cadeira sendo arrastada, um "ô profêh" gritado do fundo da sala chama a atenção do professor que procura o sujeito que gritou. Maldita hora que levantei para vir à escola aguentar isso, penso eu. O professor volta a atenção dele para mim, e sorri novamente ao criticar os filmes japoneses. Riu timidamente, o professor disserta mais, gesticula, e eu solto um sorriso oblíquo. Uma menina escrevendo o endereço do twitter dela na lousa, e eu vasculhando cada canto da sala com os olhos, de boca fechada e ainda balançando a cabeça positivamente com aquele sorriso oblíquo para o professor como se eu estivesse concordando com tudo. A porta bate, a menina grita, o professor gesticula e critica, a estudiosa escreve, o menino comenta a última rodada do brasileirão, e eu... porra, eu estou no meio disso tudo. É como um bebê no meio de uma guerra vietnamita. De repente, o professor tira o sorriso do rosto, e tudo fica quieto, olho para trás e vejo a paciencia do professor estourar contra o pessoal do fundo da sala. Bum, shh, BUM, shh. Meus dias são assim.
E mesmo que eu fale que meus dias são assim, devo confessar que tudo isso ocorreu em menos de dez segundos.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Existem muitos poucos anjos que cantam
Existem muitos poucos cães que latem
Mil violinos cabem na palma da minha mão
Mas está chorando um enorme cão
E o choro é um enorme anjo
E o choro é um violino imenso
Lágrimas calam o vento
E não podem ouvir outro a não ser o choro


Frederico Garcia Lorca (por Javier Beltrán) no filme "Little Ashes" de Paul Morrison, 2008, Reino Unido

sábado, 12 de novembro de 2011

O que quero que volte para mim é o que acredito que me fará bem
O que acredito é o que vejo
O que vejo é o que vivo
O que vivo é o que sinto
O que sinto é o que não entendo
O que entendo é o que escrevo
O que escrevo é o que sei
O que sei é o que aprendi
O que aprendi é o que papeio
O que papeio é o que jogo contra o vento
O que jogo contra o vento é o que quero que volte para mim

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Prazos

Vai tudo ficar bem, mês que vem tá aí, penso eu. Chega o mês seguinte, e nada acontece. Então me dou um novo prazo. Esse prazo estoura mais uma vez, e nada acontece de novo. Me dou mais um prazo, e vou me dando prazos até algo acontecer.
Isso não me deixa respirar.