The storm brings the wind
The wind brings the night
The night brings the time
The time brings the end
Is the end an end for us
Or is the end
An end of us?
Is today a day
Or is today
What people say?
As the storm goes away
The day comes to fade
The sounds
The grey huge cloud
Whatever you've found
sexta-feira, 21 de março de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
Ao Vento
O processo até o completo amadurecimento é longo, mas é relativo. Tudo é mutável se necessário e se precisarmos. Isso ele sempre teve em mente, mas nunca praticou.
Mr. Red olhou pela janela e jogou o cigarro fora. À sua esquerda, sua calça, gravata, camisa, terno e o sapato mais bem engraxado de New Jersey esperavam por mais um dia de sofrimento. À sua direita, um espelho maior que ele mesmo reflete seu rosto cansado e um corpo maduro e sofrido.
Após fazer o café, vem a tosse. Seus pulmões incham e por vezes Red pensa que não aguenta mais um ano. Ele sabe que está morrendo. Porém, naquele momento, Mr. Red tenta preocupar-se apenas com o trabalho. Pega as chaves do carro, desce até o estacionamento de seu condomínio e dirige até o escritório antes mesmo do sol nascer. Em silencio, Red começa a perceber que não escuta sua voz há alguns dias. Junto a sua enxaqueca matinal, Mr. Red entra no escritório ainda vazio e vai diretamente à sua sala. Após fechar as persianas e trancar a fechadura, ele retira o terno e joga em cima do sofá solteiro.
O engraçado sobre a espécie humana é que ela passa noventa e oito por cento da vida existindo e apenas dois por cento pensando sobre o porquê.
Naquele dia, Mr. Red não se viu mais como um homem atraente e bem sucedido, ele se viu perdido. Um calhamaço de coisas passaram pela sua cabeça, desde os trezentos e vinte seis dólares gastos com cigarro no último mês às sete diferentes parceiras sexuais que teve nas últimas duas semanas. Era hora de mudar. Mas como mudar algo que já foi mudado? Como mudar algo que parece imutável? Mr. Red cresceu em Nova York e morou em onze estados diferentes durante sua infância e adolescência. Isso fez com que ele não se apegasse à lugares, rotinas e pessoas. Um homem frio e calculista, como sua mãe costumava dizer. Porém, Red se tornou um homem frágil e de temperamento delicado. A maior parte do seu tempo é dedicado ao trabalho - assim como seu pai fazia - e, às vezes, ele foge dessa realidade ao se permitir fumar, beber e fazer sexo. Seu pai nunca sentou ao seu lado na mesa de jantar e nunca conversou sobre as noticias da manhã ou deu os parabéns pelo dez na escola. Seu pai trabalhava dia e noite, e Red também sabia sobre as amantes, mas nunca contou à mãe.
É incrível perceber o grau de consciência desse homem. Ele sabe que seu corpo já não suporta mais seu estilo de vida e mesmo assim ele ainda insiste. A cabeça de Mr. Red é bem diferente do seu corpo, são duas entidades diferentes, segundo ele. As pessoas enxergam Red como um homem bem resolvido e determinado, mas por dentro Red está aos pedaços.
Assim, decidido a mudar, Mr. Red resolve insistir nessa mudança. Antes que o expediente começasse, ele volta ao carro e dirige o subúrbio da cidade. Em um asilo humilde, Mr. Red encontra seu pai sentado numa cadeira de rodas no fundo do salão principal jogando paciência. O velho tenta se afastar do filho, mas Red segura a cadeira de rodas. Ele olha seriamente para o pai por alguns segundos. Os dois se encaram. Mr. Red percebe que não sabia a cor dos olhos do pai e o velho parece não ter reparado que o tempo fora generoso com o filho e tornou o bebê que cabia em suas mãos em um homem de porte. Porém, mesmo neste momento, o velho vira o olhar e levanta a mão para ser levado pelo médico. O auxiliar de enfermagem vem logo e leva o velho para o quarto, Red não demonstra resistência e vai embora.
Ao entra no carro naquela quarta-feira nublada, Mr. Red mais uma vez observa seu semblante, e com um olhar sinico e em tom irônico e sereno ele diz para si mesmo:
- Seu filho da puta desgraçado, entre os melhores e os piores, você está no meio das duas castas, rindo com um copo de martíni na mão. Hora de escolher um lado.
Mr. Red naquele dia se descreveu como seu próprio diabo, seu próprio carrasco. Ele decidiu mudar e mudou mesmo. E apesar de seu histórico de vivencia indicar que ele escolheria um caminho que tornaria-o um homem melhor, Mr. Red optou por continuar a levar sua vida inconsequente e adulta. Isso dava a Mr. Red a eloquência, desenvoltura e personalidade que o trouxeram onde ele está hoje.
Na semana seguinte, Mr. Red recebeu a noticia que seu pai havia falecido. Seus pulmões se encheram de ar novamente e ele se permitiu a um momento de lembranças de família.
Pela noite, ele respirou fundo e se olhou no espelho novamente. Um homem. Seus colegas diriam que ele vai ficar doente. Seu pai fugiria do assunto. Sua mãe diria que ele ainda é imaturo. Mas para Red, ele havia ultrapassado-se. Enxergou então naquele dia que imaturidade é uma coisa que todos têm, e que, diferente da maturidade, ela é momentânea. A maturidade é uma característica intrínseca a subconsciência que decide quando trazer à tona ou não; na maior parte das vezes, o impacto tem que ser grande para trazer. Isso varia entre uma perda de poder enorme, ou um simples encarar de olhos de velhos opressores e inimigos. A resposta de Red sempre esteve com ele. Seu espelho sempre tentou dizer isso para ele.
Na semana seguinte, Mr. Red recebeu a noticia que seu pai havia falecido. Seus pulmões se encheram de ar novamente e ele se permitiu a um momento de lembranças de família.
Quando Bob Dylan diz em Blowin' In The Wind que a resposta está soprando ao vento, ou simplesmente sendo levada ao vento, ele diz uma verdade universal.
Mr. Red olhou pela janela e jogou o cigarro fora. À sua esquerda, sua calça, gravata, camisa, terno e o sapato mais bem engraxado de New Jersey esperavam por mais um dia de sofrimento. À sua direita, um espelho maior que ele mesmo reflete seu rosto cansado e um corpo maduro e sofrido.
Após fazer o café, vem a tosse. Seus pulmões incham e por vezes Red pensa que não aguenta mais um ano. Ele sabe que está morrendo. Porém, naquele momento, Mr. Red tenta preocupar-se apenas com o trabalho. Pega as chaves do carro, desce até o estacionamento de seu condomínio e dirige até o escritório antes mesmo do sol nascer. Em silencio, Red começa a perceber que não escuta sua voz há alguns dias. Junto a sua enxaqueca matinal, Mr. Red entra no escritório ainda vazio e vai diretamente à sua sala. Após fechar as persianas e trancar a fechadura, ele retira o terno e joga em cima do sofá solteiro.
O engraçado sobre a espécie humana é que ela passa noventa e oito por cento da vida existindo e apenas dois por cento pensando sobre o porquê.
Naquele dia, Mr. Red não se viu mais como um homem atraente e bem sucedido, ele se viu perdido. Um calhamaço de coisas passaram pela sua cabeça, desde os trezentos e vinte seis dólares gastos com cigarro no último mês às sete diferentes parceiras sexuais que teve nas últimas duas semanas. Era hora de mudar. Mas como mudar algo que já foi mudado? Como mudar algo que parece imutável? Mr. Red cresceu em Nova York e morou em onze estados diferentes durante sua infância e adolescência. Isso fez com que ele não se apegasse à lugares, rotinas e pessoas. Um homem frio e calculista, como sua mãe costumava dizer. Porém, Red se tornou um homem frágil e de temperamento delicado. A maior parte do seu tempo é dedicado ao trabalho - assim como seu pai fazia - e, às vezes, ele foge dessa realidade ao se permitir fumar, beber e fazer sexo. Seu pai nunca sentou ao seu lado na mesa de jantar e nunca conversou sobre as noticias da manhã ou deu os parabéns pelo dez na escola. Seu pai trabalhava dia e noite, e Red também sabia sobre as amantes, mas nunca contou à mãe.
É incrível perceber o grau de consciência desse homem. Ele sabe que seu corpo já não suporta mais seu estilo de vida e mesmo assim ele ainda insiste. A cabeça de Mr. Red é bem diferente do seu corpo, são duas entidades diferentes, segundo ele. As pessoas enxergam Red como um homem bem resolvido e determinado, mas por dentro Red está aos pedaços.
Assim, decidido a mudar, Mr. Red resolve insistir nessa mudança. Antes que o expediente começasse, ele volta ao carro e dirige o subúrbio da cidade. Em um asilo humilde, Mr. Red encontra seu pai sentado numa cadeira de rodas no fundo do salão principal jogando paciência. O velho tenta se afastar do filho, mas Red segura a cadeira de rodas. Ele olha seriamente para o pai por alguns segundos. Os dois se encaram. Mr. Red percebe que não sabia a cor dos olhos do pai e o velho parece não ter reparado que o tempo fora generoso com o filho e tornou o bebê que cabia em suas mãos em um homem de porte. Porém, mesmo neste momento, o velho vira o olhar e levanta a mão para ser levado pelo médico. O auxiliar de enfermagem vem logo e leva o velho para o quarto, Red não demonstra resistência e vai embora.
Ao entra no carro naquela quarta-feira nublada, Mr. Red mais uma vez observa seu semblante, e com um olhar sinico e em tom irônico e sereno ele diz para si mesmo:
- Seu filho da puta desgraçado, entre os melhores e os piores, você está no meio das duas castas, rindo com um copo de martíni na mão. Hora de escolher um lado.
Mr. Red naquele dia se descreveu como seu próprio diabo, seu próprio carrasco. Ele decidiu mudar e mudou mesmo. E apesar de seu histórico de vivencia indicar que ele escolheria um caminho que tornaria-o um homem melhor, Mr. Red optou por continuar a levar sua vida inconsequente e adulta. Isso dava a Mr. Red a eloquência, desenvoltura e personalidade que o trouxeram onde ele está hoje.
Na semana seguinte, Mr. Red recebeu a noticia que seu pai havia falecido. Seus pulmões se encheram de ar novamente e ele se permitiu a um momento de lembranças de família.
Pela noite, ele respirou fundo e se olhou no espelho novamente. Um homem. Seus colegas diriam que ele vai ficar doente. Seu pai fugiria do assunto. Sua mãe diria que ele ainda é imaturo. Mas para Red, ele havia ultrapassado-se. Enxergou então naquele dia que imaturidade é uma coisa que todos têm, e que, diferente da maturidade, ela é momentânea. A maturidade é uma característica intrínseca a subconsciência que decide quando trazer à tona ou não; na maior parte das vezes, o impacto tem que ser grande para trazer. Isso varia entre uma perda de poder enorme, ou um simples encarar de olhos de velhos opressores e inimigos. A resposta de Red sempre esteve com ele. Seu espelho sempre tentou dizer isso para ele.
Na semana seguinte, Mr. Red recebeu a noticia que seu pai havia falecido. Seus pulmões se encheram de ar novamente e ele se permitiu a um momento de lembranças de família.
Quando Bob Dylan diz em Blowin' In The Wind que a resposta está soprando ao vento, ou simplesmente sendo levada ao vento, ele diz uma verdade universal.
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