Me sinto mal e nauseado. Talvez isso seja um castigo. Desenvolvi algo contra meu próprio veneno, mas o mesmo está me fazendo mal. Ontem mesmo estive com uma pessoa especial. Ela é linda e já sacou que não sou dos mais ligados. Me senti um deficiente por não poder controlar minhas próprias ações, me senti estranho e meu corpo reagiu a estímulos inconscientes. Não presto atenção no que ela fala e vejo que isso a desaponta profundamente.
Por que logo eu tinha que ficar doente? E, se estou, qual a cura? As pessoas dizem para que eu deixe de ser um pouco cabeça dura e comece a aceitar mais as coisas como devem ser, mas eu não concordo com a maioria dessas coisas. Quero estudar, não namorar, quero ir ao cinema, não à festas, quero jogar vídeo-game, não nadar no clube.
Tenho uma pilha de coisas para fazer e milhões e milhões de desejos a realizar, mas nada disso sai do planejamento. Se estou sendo comandado pelo meu subconsciente, o mesmo anda procrastinando e isso está me atrapalhando. Com dezessete anos, me sinto o cara mais frustrado da face da terra e às vezes sinto vontade de esmurrar a parede feito o Robert De Niro em Touro Indomável, talvez ele também estivesse assim. Estou vazio, oco, e nada pode me mudar. Ao meu redor uma série de falsos estimuladores tentam me acordar desse longo pesadelo, mas, na minha cabeça, soam como os convites das prostitutas de Watchmen. Estou mal pra caralho, e se eu pudesse voltar, eu voltaria. Voltaria a ser criança, a criar estórias sem compromisso, voltaria à oitava série e faria tudo diferente. Talvez me dedicaria mais a escola e mais a religião, teria lido mais, mas de que adianta agora? Costumo dizer que devemos comer coisas que diminuam nossa expectativa de vida porque, essas sim, valem a pena. Pois então, desde sempre estive com uma lasanha enorme em baixo dos meus braços e sempre acreditei estar bem por ter ela, mas aos poucos vejo que apesar de ela parecer tentadora, ela está me deixando para baixo e acabando com minha expectativa de vida. Vale a pena? Bem que valia, me tornei o que me tornei por causa daquela lasanha, mas me dividi demais, não sei mais se sou norte, sul, leste ou oeste, tenho vários pontos de vistas diferentes e me enxergar por cada um deles me dá náusea me deixa triste, afeta minha dicção e escrita, acabo descobrindo que nem com uma lasanha de seis camadas posso ser feliz porque eu ainda não achei meu prato favorito, ou eu desisti, ou eu irei achar, ou eu sou incapaz de achar. Norte, sul, leste ou oeste? De onde estou olhando e qual a posição certa?
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