sexta-feira, 21 de junho de 2013

Ranzinza

Estou ranzinza feito meu pai e chego a pensar que puxei isso dele. Talvez após anos e anos pensando que queria ser diferente, eu me tornei apenas mais um ranzinza chato e estressado.
Com mil duzentas e oitenta e três músicas na minha biblioteca no iTunes, eu posso dizer ineditamente que a música, ultimamente, foi mais presente na minha vida do que o cinema e a escrita; quanto a leitura, acredito que isso seja como beber água, você tem que ler todos os dias. Assim como eu havia dito antes, várias coisas estão acumuladas na minha cabeça e não estranhe por minha escrita estar parecendo tão rustica e informal, mas eu realmente estou escrevendo enquanto penso e a TV está ligada na CNN. Sinto que estou me tornando uma pessoa que eu queria ser, chamo mais atenção do que eu deveria e não tenho paciência com as pessoas. Sou um velho ranzinza de dezessete anos e ouço Cash, Springsteen e Dylan. Sim, sou chato, irritante, dou sono e sou insuportável, e estas não são minhas palavras.
Alguns dias atrás me peguei em frente ao mar que é minha TV de 51" e pensei: "Para onde eu estou indo?". A verdade é que não estou avançando a lugar nenhum, estudo coisas que não caem na escola, faço piadas que ninguém entende, e meus filmes, ah, meus filmes são coisa de fresco. Escrever? Escrever é atividade de desocupado e hipster idiota. Ouvir música antiga? Ah, isso é coisa de saudosista idiota e sem personalidade, afinal, nossa música atual tem tantas coisas a nos oferecer. Jogar vídeo-game a sair com os amigos? Isso vai te deixar violento. Ir ao cinema? Vai pro Ibira, vai namorar, vai transar e beber.
Sou velho, chato, não tenho um casaco de couro, escrevo, vou ao cinema periodicamente, não namoro, não transo, odeio bebida, ouço música antiga, estudo astro-física, física quântica, assisto a CNN, leio BBC, meu caderno favorito no jornal não é o politico e nem o econômico, sempre pulo para as tirinhas, tenho dois amigos e alguns colegas, não sei dirigir, não sei dançar, e depois de tudo isso, realizo que sou realmente ranzinza, chato e tudo isso, e que preciso me organizar. Preciso parar de pensar no futuro um pouco e me realizar aqui, preciso fazer alguma coisa que eu goste, preciso limpar minha bunda com dinheiro, preciso jogar boliche com o Jeff Bridges, ler outro livro, e comer, mas comer tanto bacon com fritas que vou ter que ir ao médico. E só após isso que outro pensamento me invade a cabeça, como a maioria de vocês adolescentes são imbecis, porque, afinal, se vocês acham que eu estou jogando minha vida fora porque eu não estou comendo a vizinha gostosa, eu também posso expor o que acho de suas vidas cheias glamour, dinheiro, peitos e esperma.

domingo, 9 de junho de 2013

English, motherfucker, do you speak it?

O inglês é presente na minha vida desde que eu era do tamanho de um pé de feijão. Entre músicas e filmes, o vocabulário aumentou gradativamente junto ao interesse pela gramatica inglesa.
Quando se aprende uma língua, se aprende uma cultura junto e assim como está acontecendo com o francês agora, aconteceu com o inglês.
Estou acostumado as pessoas me perguntarem onde aprendi inglês e estou cansado de responder que nunca fiz aula em nenhum lugar. Odeio responder essa pergunta porque as pessoas parecem me ver como um autodidata esbanjador de conhecimento.
Ao final da época da minha vida em que eu não consiga contar mais meus anos nos meus dedos, eu comecei a tomar consciência de que falar inglês era uma coisa e cuspir expressões americanas era outra. Leio muitas entrevistas em inglês, agora mais em francês do que em inglês, e posso até citar uma engraçada. Há alguns dias eu li uma entrevista do Askmen com Quentin Tarantino (clique aqui para ler na integra), geralmente eu leio entrevistas de diretores de cinema. Nessa, no caso, era a época de divulgação de Django Unchained, o mais recente filme do Tarantino.


Entrevistador: Was it inevitable that one day you would make a spaghetti Western?

Era inevitável que um dia você faria um spaghetti western?

Tarantino: Oh, yeah, I think, for sure. And I’ve always wanted to do a Western. I always knew that when I did it, it would probably have a little spaghetti sauce on it to some degree or another. It’s funny because Kill Bill: Volume 2 kind of had a spaghetti Western kind of vibe to it, and even Inglourious Basterds, in particular, especially the opening. I remember my script supervisor who has been my script supervisor on all my movies, when we were shooting on that first day of Inglourious Basterds, it was that scene and he goes,"‘Quentin, this is your first Western!" [laughs]

Oh, sim, eu acho, com certeza. Eu sempre quis fazer um western. Eu sempre soube que quando eu fizesse um, este provavelmente teria um pouco de molho de espaguete em cima num grau ou outro. É engraçado porque Kill Bill: Volume 2 era meio que um spaghetti western, tinha o jeito, e até mesmo Bastardos Inglórios, em particular, especialmente a abertura. Eu lembro do meu supervisor de roteiro que tinha supervisionado todos os meus filmes, quando nós filmamos no primeiro dia de Bastardos Inglórios, foi nesta cena que ele diz: "Quentin, este é o seu primeiro Western!" [risadas]

Entrevistador: And you’ve always had Morricone music there…

E você sempre pensou na música de Morricone lá...

Tarantino: Yeah...

Sim...

Entrevistador: Which made me think, now that you’ve made a spaghetti Western, do you want to have Morricone music there?

O que me fez pensar, agora que você fez um spaghetti western, você quer que tenha Morricone lá?

Tarantino: Oh, I intend to have Morricone music. Morricone, Luis Bacalov, Nico Fidenco…

Oh, eu pretendo que tenha música do Morricone. Morricone, Luis Bacalov, Nico Fidenco...


Entrevistador: And Johnny Cash?

E Johnny Cash?

Tarantino: Actually, that’s what the Sony people picked, that song, but I like that song. It might end up in the movie. But James Brown “Payback,” that’s mine.

Na verdade, isso foi o que o pessoal da Sony escolheu, aquela música, mas eu gosto dela. Talvez encerre o filme. Mas James Brown "Payback", aquilo é meu.


É realmente uma pena que o inglês seja tão pouco interessante para a maioria dos brasileiros, e quando você aprende a língua você vê o quanto aprender um novo idioma abrange seus horizontes e te dá uma perspectiva tão inovadora de mundo. Até eu mesmo já dei "entrevista" em inglês. Aconteceu meio que sem querer, eu estava "brincando" no Chatroulette e conversei com um australiano, Terrence se não estou errado, em texto e posteriormente em vídeo. Foi uma experiencia interessante, o mais legal foi ele tentando descobrir como nós brasileiros tratávamos a cultura que utiliza o inglês.


Terrence: Do you know Blondie?
Você conhece Blondie?

Eu: Of course I do!
Claro que sim!

Terrence: I just got Parallel Lines in Amazon.com.
Eu acabei de comprar Parallel Lines na Amazon.com.

Eu: What's your favorite track?
Qual sua trilha favorita?

Terrence: One Way or Another.

Eu: What a cliche! [laughs]
Que clichê. [risadas]

Terrence: And what is yours?
Qual a sua?

Eu: Heart of Glass, of course.
Heart of Glass, claro.

Terrence: And you say my choice is a cliche. [laughs]
E você diz que minha escolha que é um clichê. [risadas]

Eu: Heart of Glass is my favorite one because of my screenplay, Nanquim. I heard like a million times to write a scene.
Heart of Glass é minha favorita por causa do meu roteiro, Nanquim. Eu ouvi milhões de vezes para escrever uma cena.

Terrence: I didn't know that Blondie would reach Brazil.
Eu não sabia que a Blondie alcançaria o Brasil.

Talvez você não utilize o inglês para ler quadrinhos, assistir filmes, ler blogs de games e filmes ou a Rolling Stones, mas mesmo assim é indispensável ter o Thank You! You're Welcome! na ponta da língua porque, além de expandir você como pessoa, cresce também sua experiencia de vida.
Assim, quando Samuel L. Jackson te perguntar "English, motherfucker, do you speak it?" você possa responder qualquer coisa, menos "What?".

Boiou? Músicas e referencias citadas:

Blondie - Heart of Glass
Blondie - One Way or Another

Samuel L. Jackson em Pulp Fiction - What scene


* Ei, espera aí! Se você lê meu blog fielmente sabe que o Sete Mares de Coca Cola fechará seu legado o ano que vem com uma série do Mr. Red e mais uma série de contos que envolvem meu universo fictício de uma forma totalmente policial e investigativa e que tratará de filosofia e argumentações. Além disso, fique ligado que terei um novo blog - sem nome ainda -, mas que em breve deve estar no ar e será o porto dos meus novos textos, estes agora mais jornalísticos e informativos e claro, será nele que cobrirei minha experiencia nos EUA em 2014, fora que contará com um trip diary em vídeo! Oh, that's awesome! Fique ligado e até lá!