segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Preguiça

Acordar cedo e dormir tarde não vêm sendo atividades saudáveis para mim. Na verdade, nada do que eu faço jamais foi saudável para mim. Acordo toda manhã achando que terei um ataque cardíaco.  Sou um rapaz que ao longo da infância adquiriu a habilidade de se viciar em coisas que fazem mal a saúde. Refrigerantes, hambúrgueres, computadores, e ficar até tarde assistindo filmes e acordar cedo no dia seguinte.
A minha rotina em 2013 não vai mudar. Pensar que o ano está apenas em seu primeiro mês me faz querer pular da ponte. Às vezes, eu acabo desistindo de pensar nisso tudo e acabo dizendo que tudo isso é preguiça, e vou dormir disposto a acordar cedo no dia seguinte - é claro que nunca dá certo. Em parte, é mesmo, é preguiça.
Preguiça faz mal a saúde, assim como o esforço excessivo também. Sinto muita preguiça, daquela que te prende meia hora na cama toda manhã e te faz pensar se ir trabalhar vale a pena ou se desistir de tudo e dormir é melhor. Por outro lado, sempre acordo na maior má vontade, tomo um banho, um copo de leite, como minha tigela de cereal e, antes de sair definitivamente, tomo um copo de suco. Porém, não é fácil e eu sinto que não é. Quando o dia é bom, nem sinto às casualmente lentas dezenove primeiras horas do dia passarem, mas, quando o dia resolve não passar, dezenove horas parecem setenta e duas horas. É excruciante pensar que ainda faltam 340 dias de várias primeiras dezenove horas de dias preguiçosos.
Estou com sono e já dormi, estou cansado e já descansei, estou com sede, mas já bebi, estou com fome e já comi.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Universos

Da nossa perspectiva, o mundo parece um lugar imenso, mas todos estamos cansados de saber que o mundo é um mero ponto perto de um vasto e nebuloso espaço.
Carl Sagan sugou todas as palavras bonitas e poéticas que poderíamos usar ao tratar do universo.
O universo é tudo que existe fisicamente, são todas as formas de matéria e energia, e também todo espaço e tempo. Ou, mais resumidamente, é o conjunto de todos os astros e tudo o que há neles.
Pare por um instante e pense na palavra que dá nome à... tudo. Essa palavra é: Universo. Grandiosa, marcante e peculiar palavra, "Universo" é um termo que resume tudo e qualquer distancia.
Se caracterizássemos o Universo como uma pessoa, ele seria bem egoísta, ou talvez, sejamos apenas pequenos demais para sermos notados. Com bilhões de anos de história, nosso lar - a Terra - foi palco de milhares de artistas importantes, e também, de pessoas como eu, você, seus pais e seus avós. Pisamos e outras pessoas pisaram por aqui. Aqui nascemos, aqui ficaremos.
Quando deixamos Carl Sagan citar "O nosso planeta é um grão solitário na grande e envolvente escuridão cósmica. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de algures para nos salvar de nós próprios" tomamos a consciência de que estamos sozinhos nessa. Dizem que a Terra ainda pode albergar a vida por mais ou menos 500 milhões de anos à frente. Ao nosso ponto de vista, isso, no fundo, é cruel. Daqui a 500 milhões de anos não estaremos mais aqui, nem eu, nem você, nem seus pais e muito menos seus avós. Toda a sua história não passará de apenas mais um capitulo na utopia enorme e a perder de vista que construímos. Então, podemos enxergar assim um outro universo... Nós. 
Cada um de nós vivemos em um universo dentro de um universo. Um desses, que formamos à maneira em que vivemos nossa vida inteira, é particular. Poucas partes de nossa imensidão intelectual e cerebral é revelado à outras pessoas, e os outros o mesmo fazem. Somos universos em conflito porque pensamos em aprimorarmos desde o nosso "big bang" pessoal até a hora da nossa morte para nos tornarmos maiores e maiores. A morte de nossa especie nada mais representa do que o fim dessa história e o cessar dessa dimensão intelectual e particular a que nos permitirmos ter. Neste momento, momentos felizes e infelizes, medos, características  amores, ódios, conquistas, derrotas e tudo que já passeou por seu grande universo, acaba.
Quando imaginamos o Universo - agora este o que vivemos, a nossa escuridão cósmica - vemos que somos muito pouco e que o Universo não é egoísta, e, sim, nós que somos imperceptíveis.
De que vale todo esse esforço por dinheiro? De que vale o trabalho? De que vale os estudos? De que vale isso tudo? Para nós vale muito. Para o Universo, nada.
Ao pensar nisso, podemos chegar a duas conclusões. Uma delas é que estamos vivendo para nada e que não vamos tentar melhorar e nem piorar, porque se assim estamos é porque é assim que devemos estar. Estudar? Trabalhar? Não. Nunca farei diferença perto de um espaço infinito de espaço-tempo.
Ou, podemos pensar da seguinte forma. Apesar de tudo não valer a pena à perspectiva colossal da infinita escura dimensão cósmica, temos uma história a contarmos a nós mesmos. Temos um universo a expandir dentro de nós com infinitas possibilidades. E, o mais importante de tudo, se fora mesmo uma coincidência toda essa nossa consciência e compreensão sobre nós mesmos e os outros, temos uma chance unica porque estamos apenas vivendo dentro universos, um dentro do outro, e assim permaneceremos até o fim e que se o mesmo vier, que tenhamos atingido uma dimensão cósmica inimaginável.

Pare de reclamar da chuva e pense nisso em 2013.