segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

The house down the lane

Imagino um exercito inteiro caminhando por ruas feitas de paralelepípedo. É noite, chove e o chão está escorregadio. Mesmo assim, o grupo de soldados marcham em frente sendo liderados por uma carruagem robusta. Todos os homens têm a mesma expressão, tal qual, nenhuma.
Apenas as tochas e os poucos postes iluminam as veredas das sinuosas ruas. Cada soldado carrega sua PPSH M41 iguais umas as outras.
Atrás de cada passo, apenas um som era ouvido. Estilhaços e motores esmagando pequenos pedaços de pedras na estrada e a chuva castigando sua superfície de propriedades metálicas. O dono de tamanho incomodo barulhento eram dois tanques Tiger I. Ennio Morricone saberia compor algo para esse momento. Todos continuam em frente, sem cessar.
O exército chega a uma cidade fantasma, essa já abandonada e devastada por suas maquinas infernais e barulhentas. A missão? A missão seria encontrar um grupo de soldados americanos que, segundo informações de espiões, ali estavam.
A marcha cessa. Os veículos param, mas os motores continuam a roncar.
Os soldados logam se espalham e começam a chutas alguns escombros em busca de túneis e esconderijos. Ao final da rua, uma casa permanece de pé e apenas suas janelas foram agredidas. Um grupo de seis soldados é designado a investigar a tal casa.
O grupo, composto por dois magrelas, um gordo, um em que o capacete não servia, e dois homens másculos partem rua abaixo. Eles andam, andam e andam. Gritos atrás dele como "nichts hier" são ouvidos constantemente. Àquela altura o comandante da missão já estava puto da vida porque sua equipe (bem forte até) estavam parecendo um grupo de crianças procurando brinquedos numa caixa de areia.
Os seis soldados entram na casa. A casa possuía dois andares, e estava intocável por dentro. Três soldados vão para o segundo andar e três ficam no primeiro.
Alguns passos depois, os três soldados que foram para o segundo escutam um barulho de explosão. Provavelmente, uma mina - pensa o gordo imediatamente. Os dois magrelas tentam correr até lá embaixo, mas o gordo os impede.
Já é possível ouvir os passos apressados vindos de rua acima. Antes que os reforços pudessem chegar, um homem de moicano loiro sobe a escada com uma metralhadora maior que seu braço. Atrás dele, um grupo de soldados americanos se aproximam.
O homem abre o braço e diz alegremente:

"Gute Nacht, my friends"

Os soldados alemães se alvoroçam e apontam as armas para o americanos. Os soldados americanos respondem apontando os rifles para os três alemães.

"Oh, nein, we don't need this. We just want to talk... friendly"

Os soldados alemães se entreolham.

"Sprechen sie englisch?" pergunta o gordo para um dos magrelas.

O dois soldados dizem que não.
O americano do moicano puxa uma cadeira que está perto e se senta.

"I suppose that any of you fuckin' germans understand my language. But that's ok, Rico here can translate everything I say to your language"

Rico se põe a frente e começa a falar alemão com os soldados.
O americano de moicano começa a falar.

"Are you guys have any ideia what me and my friends are about to do?"

Rico traduz e os soldados respondem que não. A essa altura, eles já tinham largado as armas.
O americano de moicano tira uma foto de dentro do bolso.

"These, freunden, these are the photos of mine, Rico's, Charlie's, Bob's families. We had a life, but your fucking machines destroyed everything... Everything. Our lives now, it's like this ground, rocks and dust"

Rico traduz.

"So your friend's lives"

O americano de moicano tira um equipamento do bolso e o mostra com ironia. Ele aperta um botão no centro do equipamento. Logo após, um estrondo enorme de explosão soa ensurdecedoramente.

"Fantastisch" diz o sujeito de moicano rindo.

Os soldados se ajoelham. Enquanto os dois magrelas parecem prestes a chorar, o gordo sua feito um porco, mas não perde a pose de valentão.

"The war is ending... I know"

O americano se aproxima dos soldados com uma faca enorme.

"Do you guys like bacon?"

Rico traduz. Ninguém ousa responder.

"Y'know, speck as you germans say"

O gordo faz que sim com a cabeça.

"Ahhh, I knew it. I like it too"

Rico traduz. O gordo continua suando feito um cavalo de corrida.

"Imagine fight the whole war waiting to go back home, wake up in the morning and have some bacon and eggs... It wouldn't be perfect?"

O gordo faz que sim. O americano logo responde com um não.

"Nothing is going to be normal again. Nein, nein, never. Why? Cuz when you live in hell, maybe your body go, but your mind won't be set free"

O gordo controla sua respiração e parece já saber que vai morrer.

"Y'know, freund, I can fry a bacon strip in your forehead now"

Os soldados americanos riem.

"But I ain't here to speak... I'm here to go home"

Rico traduz. O gordo parece confuso.

"I watched every goddamn movie that your country have made since the war began. Y'know, when I read Jack and the Beanstalk I spent a month thinking how to kill the fucking giant"

Rico traduziu.

"But then I figured out that I was just thinking about how to kill a giant and not how to escape"

O gordo não parecia estar achando nexo na conversa. Os dois magrelas atrás dele já pareciam ter desistido de viver.

"When I came to fight, I recorded this. Then, after that, I saw war as a bunch of kids trying to provoke each other. They were so... So fucking crazy. I think, they were blind. Everything was an enemy, and it doesn't matter if womens or kids was in the middle. The game is called "Kill whoever or whatever is moving".

O gordo parece mais apreensivo agora.

"Y'know, if I was Jack, the giant would leave his castle with an axe in his forehead"

O americano encosta a faca no rosto do gordo.

"But this is our race... Humans, as the books call"

Rico traduz.

"And, why kill now if we're going to kill each other someday? Why? This is our nature"

Os soldados americanos recolhem as metralhadoras alemãs. Os três soldados alemães são postos de pé.

"Think before you pull the trigger, stupid fat german"

Os soldados são deixados na escada e recebem ordens americanas de descer e fazer o caminho contrário até a base de onde vieram e falarem para seus generais que americanos pouparam suas vidas não porque são americanos, mas porque não são psicóticos como todos vocês.
Os soldados americanos abrem um janela e escapam via uma tirolesa por ela. Os soldados alemães se sentem ridicularizados.
Os três alemães descem e se deparam com as partes de seus companheiros de exercito.
O gordo, prestes a abir a porta frontal, vira para os dois magrelas e diz...

"Não vamos mais matar ninguém. Provaremos que eles estavam errados, não atiramos em qualquer coisa que se mexe. A guerra está acabando, voltaremos para casa"

O gordo abre a porta e a luz do sol da manhã e a leve garoa entram como ar em um pulmão de recém nascido. Logo após a radiação solar e a leve brisa da garoa, uma chuva de balas provendas de metralhadoras, com som familiar as suas que foram levadas pelos americanos, invadem o espaço aleatoriamente acertando os três soldados em diversas partes do corpo. Os dois magrelas levantaram voo com a rajada (a essa altura os gritos de cessar fogo já eram chamados), mas já era tarde. O gordo caiu de joelhos e rolou os três degraus que levavam até o nivelamento da casa e, numa fração de tempo, ele pôde pensar: Que merda que nos tornamos? 



*Esse post não tem como intenção criticar, agredir, ridicularizar ou expor qualquer americano, alemão ou qualquer pessoa que tenha sido citada ou que possa parecer sido afetada e muito menos de fazer apologia à algum deles ou à guerra. Essa é apenas uma representação e masturbação literária de um fã e estudante das guerras mundiais, cinema, literatura, contexto histórico da época e um critico de seus próprios pensamentos.

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