sábado, 3 de novembro de 2012

De Gecko à Dawson

Não sei quando começou, talvez ontem ou o ano passado. Não costumo guardar datas, e, às vezes, até me pergunto se o aniversário do meu pai é em 31 de Julho ou de Agosto.
Hoje a minha intenção não é dar lições (na verdade, nunca foi, sempre estive manipulando todos vocês a ver, por pelo menos um curto espaço de tempo, tudo do meu ponto de vista) e também não pretendo me demorar.
Os últimos dias vêm sendo... Interessantes, eu diria. Eu me peguei em um personagem e venho dialogando com ele (meu alterego) constantemente. Eu o venho chamando de Mr. Red (em referencia a Reservoir Dogs, e vermelho é minha cor favorita) e o tal Mr. Red é muito charmoso e fotogênico. Não, esse não é meu lado homossexual. Na verdade, tentei nunca conversar com ele enquanto ele estivesse fumando, ele sempre cospe a fumaça na minha cara. Também tento não falar com ele quando ele está mirabolante, ele se sente um dos Ocean's Eleven. Eu gosto de falar com o Mr. Red quando ele está calmo, pensativo e preguiçoso. Ele responde tudo diretamente e expressamente, se ele for grosso ou dizer algo a mais, ele estará preguiçoso demais para se preocupar. Alguns dias atrás, eu fui até ele com definições de psicopatia. Ele disse que, se aquilo era uma indireta, não, ele não era um psicopata. Eu logo perguntei "Como você sabe disso?", e ele então disse que se fosse, ele saberia. Como? Imagina, como ele saberia? Ele ajeitou o cabelo, me olhou no fundo dos olhos e soltou: Eu tenho vontade de matar uma única pessoa, porém, tal pessoa é muito importante. Eu me contive por um instante, mas logo disse que aquilo era muito contraditório e que, para mim, aquilo era um sinal de psicopatia. Blah, blah, blah - ele respondeu.
Mr. Red então sacou uma magnum 44 de não sei onde, e apontou a arma para mim. Eu queria matar você - e logo arregalei os olhos - Porém, não posso. Ele recostou a arma sobre a mesa e tirou sua carteira de charutos de dentro do paletó. Eu me senti ameaçado e até cogitei reagir, pegar a arma e atirar naquele bastardo. Até senti o peso de dois quilos na minha mão e a leve força nos músculos que eu teria que impregnar até a arma chegar a sua cabeça. Porém, não fiz nada. Fiquei parado ali, sentado numa varanda de uma casa de madeira. A noite já havia chegado. Era possível ver a varanda acesa lá da estrada e a silhueta de dois homens sentado. Mr. Red se levanta e desce a varanda à caminho do carro. Ele abre a porta e pára. Ao tirar o charuto da boca, Mr. Red me diz algo que me faz pensar até hoje, logo após ele dizer Eu não sou psicopata e nem apresento um quadro inciante de um, desculpe pela minha cara de Don Corleone.
Eu continuo o observando apreensivamente.
Sabe, às vezes eu me pego pensando, se eu sou você ou você é eu. Talvez, quem eu sou hoje? Está calor, você gosta do frio? Está frio, eu gosto do calor? Podemos nos diferenciar por isso. Mas, geralmente, só penso nisso se paro para pensar nesse tipo de coisa. Na maior parte do tempo, não percebo nada, mas tirei uma conclusão, não importa. Afinal, nunca fomos tão cordiais uns aos outros, mas sempre fomos sinceros. Não importa. Dane-se ontem, você pode ter sido um  Richard Gecko ontem e hoje pode ser Jack Dawson. Filho, a única pergunta é... Quem é você? Ou melhor, ou melhor... Quem é você hoje? Desculpe se eu disse besteira no almoço ontem, mas você também me deve desculpas por ter xingado os céus só por causa do calor.
Ele traga e cospe a fumaça. Mr. Red entra no carro e desaparece no limite da estrada.

domingo, 12 de agosto de 2012

(Risada cansada, seguido de um bocejo gerado após um espreguiço)

Eu não sei. Eu não sei faz um tempo já. Não sei que dia é hoje, não sei em que século estamos. Faz um tempo que não abro a janela. 

(Risada)
Há muitos "nãos" nessa frase. Minha mãe diria que eu estou sendo negativo. Eu vivo no negativo. Desde a energia e disposição à conta bancaria. Porém, minha mãe está errada. Há muito mais "sims" na minha vida do que parece.
(Bocejo)
Ah, eu posso conta-los, eu posso dita-los. Sim, eu estou realmente ferrado. Me sinto cansado sim. Sim, eu me sinto um nada. Eu poderia jogar isso tudo fora, apertar o backspace na minha história, mas isso seria nomenclaturado como suicídio. Sim, eu penso em suicídio. Parece a solução às vezes, e eu... hã... Eu não dou a minima para esse lance de honra quando se trata de suicídio.
(Preparo de voz, se acomodando)
Hã... Não irei me suicidar apesar dessa minha declaração. O ponto é que estamos vivendo uma grande depressão e isso não tem nada haver com economia, malditos historiadores. Eu quero dizer que todos, sem exceção, estão dentro dessa bolha. Ah, que coisa banal, que palavras tristes. Como eu desejei não entrar na bolha, mas só depois percebi que eu já estava dentro. Não tem como entrar, não tem como sair. Você já nasce nela.
(Voz ficando agressiva)
Estamos vivendo uma grande depressão. Saia as ruas. Compare-se. Todos estão caminhando para um sonho que não vale a pena. Coisas fúteis  Quando a vida se resumiu a casa própria? A carros? A sexo? A dinheiro?
A culpa é do mundo e blá, blá, blá. Para o inferno com essa sua fala, seu crápula desgraçado. Tire todas as pessoas da rua, e verás que o mundo é calmo, denso por si só, e caminha num sentido que deveríamos seguir... A continuidade. O futuro. Em frente.
(risada chorosa)
Para onde estamos indo? Estamos indo para o fim. Para o final dessa história. Não para o futuro do futuro do futuro. Ah, pobres cartuchos, quando a nossa tinta acabar, pararemos de gerar isso tudo.
Por enquanto, eu só quero dormir. A merda está feita. E o verdadeiro herói de hoje, é aquele que pode ver isso, e pelo menos ser otimista. Acordamos todos os dias e fazemos essa merda acontecer.
Droga... Essa fumaça de ônibus, essa industrialização de tudo, esses sorrisos, bom dias, boa tardes, boa noites, estou com dor de cabeça.
(Risada alta, seguida de um choro gago)
Shhh, não quero acordar ninguém. A noite silenciosa é o exemplo de solução.

sábado, 21 de julho de 2012

Clichês

Sexo. Vaginas. Pênis. Prazer. Esse processo se promove por si só.  As ruas fedem a esperma, sujeira e malicia. Todos e tudo. Assim como Bickle queria, uma tempestade um dia irá limpar esse esgoto metropolitano e levar todos e tudo água abaixo.
As pessoas querem viver romances, mas não ligam para o que aconteceu com o background da história. É impossível viver um romance nos dias de hoje. Impossível.
Você ama, é amado. Como é isso? Como é isso hoje? Realmente às vezes desejo sentir aquela sensação quente novamente. A perda de um amor é como uma droga. Queima sua veia. Faz você tremer e suar frio. 

Dor. A dor é a prova e o termômetro de quão humano você é, de quão forte ou quão fraco é, e o teste se aguentará ou não passar por isso novamente. Eu perdi algumas pessoas, mas não dói, não sinto o vazio, não sinto falta. Elas se foram. Isso me faz menos humano? Menos normal? Qual é o padrão de normalidade hoje? Não temos a resposta. 
Porém, é possível ver que todos anseiam por uma vida perfeita. Óbvio. Vidas que já foram descritas em filmes, livros, poemas ou músicas. Clichês. Todos nós ansiamos pela mesma coisa, só que de maneiras diferentes.
O que nos faz pensar em uma vida perfeita? É porque não temos uma. Não temos. E isso é nossa culpa. Culpa de uma criatura que se perdeu em prazer e dinheiro e esqueceu de seu eu interior. Uma criatura que estende seus prazos para alcançar coisas no trabalho ou na vida profissional. Mais dinheiro. Dinheiro leva a sexo.
Estamos sujos.
Somos um eterno clichê. Sempre estaremos a procura da princesa guardada a sete chaves pelo dragão, ou nos apaixonaremos ou ansiaremos logo o que não podemos ter, e sempre teremos a esperança de que no final enterramos a espada no coração do dragão.
Se temos consciência disso? Obviamente, sim. Somos como um clichê, dá merda no meio da estória, mas ansiamos e temos a esperança de um final feliz. O mundo é um clichê e se acomodou nele.

sábado, 14 de julho de 2012

Tolos lobos

Se há cenários perfeitos para uma história acontecer, eu realmente não os conheço. Não há beijos na chuva e muito menos um longo amasso no carro. Não há cinema com a namorada e nem futebol com os amigos. Não há uma pilha de livros velhos dos quais tiro minhas melhores palavras em cima da minha cama. Não tomo café pensando na vida. Não viajo a lugares distantes. Não escrevo à luz da lua. Não tiro fotos de pessoas que parecem realmente um incentivo a encontrar um carma melhor. Eu nem ao menos levo a sério essa história de carma. Mas ainda há pessoas que me enxergam como um romance. Pobres tolos. Eu enxergo um cenário para eles. Um mundo falso e artificial, onde o objetivo é parecer a pessoa mais triste e dependente do mundo. Uma pessoa que grita sem ao menos atiçar a voz. As pessoas fingem muita coisa ao passarem durante a vida. Às vezes, fingem e mentem para si mesmas, algo como "Não, não é fingimento. É adequação. Adaptação", mas no fundo sabem que é tudo uma grande mentira. Qual o ponto em viver assim? Mentindo para si mesmo. Não se influencie. Seja a influencia. Pelo menos assim, conhecerá o terreno dos outros. O campo minado é revelado. Soará como um conselho aos outros, mas não é. Essa é mais uma nota mental para eu mesmo.
Não devemos fingir nada a nós mesmos, uma hora nos encontramos conosco cara a cara, e não reconhecemo-nos. É como cavar um buraco, armar a armadilha e no final nos pegarmos. Esse é um outro lado entendível da famosa frase de Hobbes - O homem é o lobo do homem.

Fucking pigs

Odeio pessoas que comem de boca aberta ou que fazem sons perceptíveis aos meus ouvidos. São como interferências na minha estação de rádio exclusiva. Há muitas interferências na minha cabeça, impossibilitando que eu continue com minhas notas mentais e meus monólogos diários.
Um homem, quarenta e cinco anos, pastor, marido, pai, dono de uma vida normal. Ele está morto. Traumatismo cranioencefálico causado por um martelo. Sangue. Muito Sangue. É impossível caminhar calmamente, não se preocupar em não sujar os sapatos. Ele morreu de olhos abertos olhando para o teto branco. Ele está em paz agora? Ele morreu acreditando no que acredita? Deus? Dio? God? Em que língua a morte fala? O que ela nos conta na hora h? Uma pena não termos a resposta.
Com os miolos e as vergonhas expostas, o pastor olha fixamente para o teto com uma expressão sem vida e torta. Ele sentiu dor? Sua alma está ao meu lado agora compartilhando meu monólogo? Eu duvido.
Um homem esbarra em mim, o café é quase derrubado na minha camiseta nova e um "ooups" substitui o pedido de desculpas. Olho para ele inexpressivo. O homem leva o café até a boca fazendo um barulho repugnante e irritante. Ele arrota disfarçadamente e pega o relatório. Filthy pig.
O pastor continua no chão sendo fotografado por legistas e investigadores. As janelas e cortinas são fechadas para que possa ser revelado mais algum tipo de sangue no resto da casa. Flashes e mais flashes no ambiente. Lanternas especiais. Dor de cabeça. O ambiente está parecendo uma boate de Miami, só nos falta o êxtase. Continuo andando em frente, entro em um quarto e me deparo com uma mulher na cama.
Trinta e nove anos, esposa, mãe, feliz. Morta do mesmo jeito que o marido. Ela está deitada sob a cama, nua de braços abertos e pernas cruzadas. Seria esta alguma referencia bíblica?

Ouço meu nome e volto para onde estava. A quem pertence a voz feminina me chamando. Volto e o corpo não está mais lá. Não há mais pessoas na cena do crime. Onde está o sangue? Corro de volta ao quarto. Onde está a mulher? Todos se foram.
Continuo ouvindo meu nome.
Abro a porta da frente, mas não me deparo com o sol e nem com a rua, me deparo com mais um comodo, um corredor longo e escuro. Ando em frente e me deparo com uma porta. Ouço meu nome mais claramente. Toco a maçaneta. Flashes. Um corpo masculino esquartejado numa maca. Flashes. Uma mulher em cima da cama, nua e morta. Flashes. Eu coberto de sangue. Flashes. Eu sei quem são essas pessoas. Flashes. Abro a porta. Milhões de flashes, como se fossem milhões de câmeras. Flashes.


- DANILO, porra! - chama um dos meus colegas de trabalho e então eu percebo que estava apenas preso em um devaneio.




Oh, pego em mais um de meus devaneios. O gordo ao meu lado não está mastigando seu hambúrguer, e sim mascando-o. Muitas pessoas estão falando ao mesmo tempo. Assuntos fúteis. Eu acabei de matar a todos em minha cabeça. Fora um massacre. Esbanjei e aproveitei a minha raiva.


- Você estava dormindo? Te chamei quase vinte vezes. Achei que você tinha bebido muita coca-cola. Comeu demais? - pergunta o colega.
- Estou bem. Eu estava apenas distraído.
- Eu só quero dizer que já enviei aquele documento que você formulou para o chefe.


Well done, ficou com todo meu crédito.


- Ele disse que poderá assinar e enviar em três dias.


Eu poderia lhe matar em três segundos.


- hm, isso é bom - digo eu.


O massacre que eu acabei de vivenciar em minha cabeça foi cometido por mim. Não tenho desejo por sangue. Mas a morte vem em devaneios às vezes como se fossem metáforas para o que está realmente acontecendo.
Treze e trinta da tarde. Um gole de Coca-cola. Volto ao trabalho, longe do gordo nojento, só eu, e minha estação sintonizada e sem interferências.

sábado, 7 de abril de 2012

Conversa a dois

- Não há por que temer a morte - disse o garoto de olhos claros.
- Como não? Watch your mouth, boy - Exclamou a garota ruiva.
- Se a vida é um aglomerado de dores e preocupações sem sentido, por que temer a morte que, claramente, é o livramento para tudo isso?
- Deixar de viver não seria...
- Ruim? Oh, claro que não, my piece of rainbow. A ideia de morrer é até tentadora.
- Gosh, não acredito nisso.
- Sabe por quê?
- Por que o quê?
- O porquê de você não acreditar que a morte pode ser uma coisa boa.
- Por quê?
- Porque a morte tem uma fama ruim.
(risos por parte da ruiva)
- Sim, é sério. A morte é como uma barata.
- Mas você odeia baratas.
- Sim, eu odeio baratas. Porém, certa noite, eu fui a cozinha beber um copo d'água e estava tudo escuro. Senti alguma no meu pé, mas como tinha muitas coisas jogadas no chão, eu não dei atenção. Quando liguei a luz para arrumar tudo, deparei-me com uma barata. Sabe o que aconteceu a seguir?
- Você gritou?!
(risos)
- Não, não. Eu deixei-a sair sozinha do meu pé e o melhor de tudo é que ela não fez nada.
- Mas a barata é suja, que nojo.
- Por isso a comparação da tal com a morte.
- A morte é suja?
- Sim, e como. Ela leva nossos entes queridos embora, mas, talvez, e por algum motivo, ela não seja tão horrível assim. Talvez uma outra pessoa tivesse o mesmo pensamento que o meu e quisesse morrer, mas nós, inseridos em terceira pessoa na história, interpretamos mal a morte, coitada.
- Eu ainda não quero morrer.
- Ah, sim... Isso, my piece of rainbow, é porque você ainda tem medo da barata.
(expressão de indagação e surpresa por parte da garota ruiva)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Alienado

Diana Naval Santo Lis a Danilo Santana Silva


[Danilo, não sabe o quanto tentei me comunicar com você. A situação não é das melhores. Eles me andam me chamando de Salina, e pergunto para eles o porquê de me chamarem assim. Eles dizem que este é meu nome. Que merda está acontecendo? Que merda está acontecendo?! Eu acordo num dia e homens batem na minha porta, dizem que não fui muito sincera com eles o mês passado. Que merda está acontecendo? Do que eles estão falando?
Eles me entregaram um documento e este documento se referia a uma tal Salina. Quem é Salina? Parece nome daquelas personagens de filmes americanos. Isso está batendo de um lado ao outro dentro da minha cabeça.
Decidi mostrá-los meus documentos e lá estava... Salina Santola Vinda. Esse não é meu nome, não é mesmo? Me conte! Onde você se meteu? Onde você esteve? Onde você está?!
Fui levada à um hospital psiquiátrico e eu disse que eles que podiam lhe chamar para me ajudar numa certa entrevista. Disse a eles que você é meu amigo. Passaram-se quatro dias até eles voltarem ao meu quarto, o quarto 89. Eu queria saber se eles haviam o encontrado ou pelo menos entrado em contato com você.
A resposta me surpreendeu e está me deixou perplexa. Eles disseram que você não existe. Você pode acreditar nisso? Disseram-me que você não existe!
Eles querem me enlouquecer. Ah, e não falei das teorias deles. Disseram para mim que meu nome não é Diana Naval Santo Lis, e sim Salina Santola Vinda. Eu não conheço nenhuma Salina! Não conheço! Mas vai tentar explicar isso para eles. Dizem que estou louca... Olha em que situação cheguei. Todos me chamam de Salina, até mesmo minha tia que veio me ver anteontem.
Não pare de ler agora. Calma, calma. Ainda tem a parte mais dramática, a parte em que me faz pensar em tudo até agora e me faz pensar nos próximos dias que ainda virão.
Fui a entrevista com a minha tia e lá me fizeram várias perguntas. Uma dessas perguntas foi "Conte-me sobre esse tal Danilo. Qual o nome inteiro dele?". Eu contei, e, praticamente, fiz uma biografia sua a eles, talvez uma biografia melhor e mais bem feita do que a mais nova biografia do Walter Isaacson. E essa é parte mais absurda da estória... Após anotar seu nome inteiro (Danilo Santana Silva) num pedaço de papel e depois de soltar um sorrisinho irônico, o doutor me disse com todas as letras que escreverei agora "Querida, Salina, esse tal Danilo é você mesma." Me disse que seu nome é apenas um anagrama do meu nome". Ele me mostrou a combinação. As letras de Danilo Santana Silva dão facilmente meu nome, Diana Naval Santo Lis e até mesmo Salina Santola Vinda. Eu soltei uma gargalhada, e depois fiquei séria. Virei a mesa do doutor e juro que passou pela minha cabeça enfiar uma caneta na garganta daquele desgraçado. 
Eu estou ficando louca. Eu estou ficando louca.
Eles me sedaram após eu quase atacar o doutor. Um tempo numa cela fechada me deu tempo suficiente para pensar: E se eles estiverem certos?
Meu Deus! Meu Deus! 
E se eu for você? Ou, a pior das hipóteses para mim, e se você for eu? E se eu for apenas um fragmento de um sonho dentro da sua cabeça? E se eu for um sonho? E se não for eu escrevendo-lhe esta carta e sim você escrevendo para si mesmo num estado de transe?
Eu comecei a cogitar muitas coisas. O número da sua casa é 89, não é? O mesmo número da minha cela. Meu Deus! Eu estou ficando louca! Não sei o que está acontecendo. Não sei nem mesmo se eu sou quem eu sou. As vezes parece mais confortável acreditar neles. Mas não posso desistir.
Danilo, onde está você? Você é minha única prova de sanidade.
Tudo está acabado. Tudo! Há apenas um único fio de esperança em mim. Eu espero colocar essa carta debaixo do meu travesseiro hoje a noite e espero que na manhã seguinte eu acorde e ela ainda esteja lá, na verdade, eu só espero acordar. Desculpa, Danilo, mas se a hipótese deles é a verdadeira estória... Você, sr. chá de sumiço, vai acordar amanhã e perceber que há uma carta debaixo do seu travesseiro e que você andou escrevendo uma carta sem fundamento em nome de uma tal Salina Santola Vinda.
Estou louca, caro Danilo.]