quarta-feira, 5 de outubro de 2011


Depois da meia-noite tudo pára. A cidade parece enfim poder se tranquilizar, parar de ofegar, e secar seu suor; ter um momento de paz. É noite, logicamente. O dia vai terminando e com ele tudo vai repousando esperando por amanhã. Eu exausto e olhando para tudo com aquela cara de nãoqueroacordaramanhãcedoporqueavadiadaminhaprofessoradeliteraturavaiseestressar e com um pouco daquela cara de nãovoutomarcafédireitoeoonibusvaiestarcheioeaspessoasvãopisarnomeupé.  Na padaria os últimos copos americanos em que foram servidos vários e vários café com leite vão sendo lavados, e consequentemente batidos uns nos outros quando postos na secadora. Na rua os últimos carros parados no semáforo, as últimas motos a fazerem barulho com aqueles motores do inferno, e engraçado, as primeiras mulheres com meias calças rasgadas chegam as janelas dos veículos. Os últimos cigarros são fumados, as últimas pessoas cansadas se espremem no ônibus, e os últimos mendigos se enrolam em algum banco de praça. A luz alaranjada do poste pisca, o silêncio parece ser o barulho mais irritante da noite numa cidade onde até colocar o telefone publico no gancho chama a atenção. Os primeiros festeiros e bêbados chegam a boate de duzentos reais a meia entrada; com suas jaquetas diferentes e aparentemente caras, e seus óculos gigantes contrastando com um boné new era. Lá estão, os últimos civics da noite, eles são cinzas, quase nunca pretos, e sempre estão com os vidros fechados e parados na faixa do meio.
É engraçado essa tipica noite, parece que tudo tem que ocorrer como sempre ocorre, e se alguma noite é diferente é porque teve algum acidente na imigrantes. E então, eu levanto e pego o último ônibus que não vai para Nova York, ou até Londres (onde eu queria estar talvez) e sim para o último lugar no mundo que ás vezes eu quero estar, meu bairro onde todos ficam perguntando o porquê de eu ter parado de sair com os amigos que é onde fica minha casa onde minha mãe diz que fico muito preso no quarto que é onde eu escrevo esse tipo de coisa até a noite virar dia, eu acordar em meio a sulfites cheios de linhas, e a rotina recomeçar.

Um comentário:

  1. Sem palavras para esse teu texto. É como se tudo que estivesse na sua mente um dia inteiro finalmente pudesse sair.

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