Depois que Red partiu no último post, é minha vez de dizer adeus, meus caros.
A primeira linha desse post foi escrita há três anos atrás e hoje sinto uma ligeira necessidade de revelar minhas verdadeiras intenções quanto criei esse blog e agora que estou fechando. Não estaria vivo à altura que esse post fosse ao ar. Porém, muita coisa mudou nesse meio tempo. Conheci muitas pessoas. Amei algumas e odiei outras. Me descobri um amante incondicional dos dias, da rotina geral e do movimento. Esse amor revelado toda vez que sento e paro para observar as coisas funcionando, desde carros à pessoas, de empresas à pequenas padarias. Nos comportamos de uma forma tão previsível, tão restrita ao nosso campo de visão que faz os atores e atrizes, por vezes, tão caricatos, parecem mais reais que nós mesmos. Tão previsíveis que a arte se torna necessária. Tão previsíveis não é tão difícil de entender porque a morte é um evento tão natural e tão inusitado para a grande maioria das pessoas. Sonhei que morri esses dias. Permaneci consciente e não podia me mexer. Foi desesperador e decepcionante ao mesmo tempo.
Finalmente, gostaria de agradecer você, querido viajante que velejou por todos esses mares. A verdade final é que minha intenção inicial há três anos atrás era estar morto quando esse post finalmente fosse ao ar, como disse logo no começo desse post. Sim. Me matar. Pular da ponte. Me drogar. Me fazer algum corte fatal. Me jogar na frente de um carro, de um trem. Me matar. Pode dizer que isso soa forte demais, mas para um adolescente de quinze anos naquela época não parecia. Eu tinha tudo em mente e sabia como falecer dormindo. Parecia-me tão coerente. Meu pai estava prosperando em um emprego, assim como minha mãe. Meus irmãos estudavam em escolas particulares e pareciam tão felizes quanto meus pais. Apenas eu, restrito em meu universo pessoal, me pegava numa profunda e densa tristeza que amargurava meu peito pedaço por pedaço. Foi a época que percebi que muitas das coisas que planejei fazer - tais essas, coisas extraordinárias - não poderiam jamais serem realizadas. Não por causa de dinheiro. Não por falta de tentativa. Era apenas complicado demais para explicar e muito pessoal para divulgar. Sempre fiz muitos planos, sempre gostei de planejar o futuro. Não é difícil de fazer isso quando você escreve. Desde então, comecei aos poucos me afastar de todos. Me tornei uma pessoa mais calculista e apaixonada por coisas menores. Isso me ensinou a não ser rude com os outros e saber ouvir. Me ensinou a escrever não apenas para mim, mas como também para o leitor. Começou aí então a sumir os resquícios de egoísmo e tantos outros pensamentos negativos que rondavam minha mente. O cinema maximizou essa ação.
Por todos os caminhos que percorri, eu encontrei algumas pessoas que foram fundamentais para eu mudar de ideia com o tempo. Se você está lendo e me conhece, provavelmente deve saber (ou em breve irá) que foi fundamental para isso. E eu, que por vezes sou apelidado de Bruce Wayne, foi quem realmente foi salvo; e o mais irônico que fui salvo por aquilo que eu não acreditava: Pessoas.
Se você está lendo isso e algo me aconteceu, não se preocupe. Não guardo ódio mais. Nem por ela e nem por ele. Nem por fulano e nem por ciclano. No fundo, apesar do estresse, apesar dos meus personagens, eu sou um cara feliz. Só estava a procura de ser sempre mais porque acredito que tudo isso aqui, esse exato momento que você está vivendo agora e os próximos que virão, se tratam apenas disso: Ser. Ser sempre mais.
Obrigado, meus amigos leitores e também a você que compartilhou minha rotina.
Obrigado, P.F, P.A, L.B, I.S, D.S, Di.S, C.E, R.S, H.B, Família S, e a mais recente, mas tão importe e tão amada quanto, E.V. Amo-vos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário