Tudo acontece tão rápido. Meu professor de história falando mal do Mel Gibson enquanto uma gargalhada enorme é solta atrás de mim por uma rodinha de conversa da qual prefiro não citar nomes. O headphone pinicando os fios de cabelo na minha nuca, e o ventilador da sala cortando em fatias o ar fazendo um som parecido com vush, vush. O sorriso amarelo do meu professor ao terminar a critica contra o Mel Gibson, a bolinha de papel jogada do fundo da sala bate na borda da cesta de lixo e caí para fora. Barulho de cadeira sendo arrastada, um "ô profêh" gritado do fundo da sala chama a atenção do professor que procura o sujeito que gritou. Maldita hora que levantei para vir à escola aguentar isso, penso eu. O professor volta a atenção dele para mim, e sorri novamente ao criticar os filmes japoneses. Riu timidamente, o professor disserta mais, gesticula, e eu solto um sorriso oblíquo. Uma menina escrevendo o endereço do twitter dela na lousa, e eu vasculhando cada canto da sala com os olhos, de boca fechada e ainda balançando a cabeça positivamente com aquele sorriso oblíquo para o professor como se eu estivesse concordando com tudo. A porta bate, a menina grita, o professor gesticula e critica, a estudiosa escreve, o menino comenta a última rodada do brasileirão, e eu... porra, eu estou no meio disso tudo. É como um bebê no meio de uma guerra vietnamita. De repente, o professor tira o sorriso do rosto, e tudo fica quieto, olho para trás e vejo a paciencia do professor estourar contra o pessoal do fundo da sala. Bum, shh, BUM, shh. Meus dias são assim.
E mesmo que eu fale que meus dias são assim, devo confessar que tudo isso ocorreu em menos de dez segundos.
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